Aplicativo moderniza distribuição de material escolar na rede municipal de São Paulo
"Garantimos o direito das crianças ao uniforme, geramos emprego e estimulamos o pequeno comércio", diz o secretário Fernando Padula
A criação de um aplicativo Kit Escolar DUEPAY, voltado às famílias de alunos da rede municipal de São Paulo, solucionou um problema antigo na capital paulista: o atraso na entrega de uniformes e materiais escolares às crianças.
Em 2016, cerca de 124 mil estudantes da rede pública ficaram sem receber os itens até o primeiro mês de aula.
Como solução, a gestão do então prefeito Bruno Covas desenvolveu o aplicativo, posteriormente implementado na administração de Ricardo Nunes (MDB).
Antes, cada unidade escolar era responsável pela gestão e distribuição dos kits.
Com o novo modelo, as famílias recebem créditos diretamente em suas contas no app e podem escolher os produtos em lojas credenciadas de acordo com a necessidade de cada aluno.
Autonomia
O secretário municipal de Educação, Fernando Padula, afirma que a ferramenta corrigiu distorções antigas e deu mais autonomia das famílias.
“São Paulo tinha dois grandes desafios. Um era a fila de creche, a outra era o problema de entrega de uniforme. A fila da creche está zerada e o material de uniforme houve essa mudança anunciada pelo prefeito Bruno Covas e nós implementamos com o Ricardo Nunes. Antes, você tinha contratação e distribuía em unidades escolares. Isso gerava atraso, problemas de numeração“, explica Fernando Padula.
Segundo ele, o modelo anterior exigia um processo complexo e ineficiente.
“As crianças não crescem todas ao mesmo tempo na mesma velocidade. Você tem que fazer todo um trabalho de medir o pé, medir a cintura da criança, a altura e isso onerava a escola com este trabalho de fazer esse trabalho anterior. Depois, mandava para licitar. Depois, as escolas faziam a distribuição disso. Elas recebiam os itens e deveriam fazer a distribuição para os estudantes. Acabava onerando as escolas com atividades que não eram pedagógicas“. acrescenta.
Descentralização
A implementação do aplicativo alterou a lógica de fornecimento.
Antes, uma única empresa concentrava a produção e entrega dos uniformes. Hoje, mais de mil lojas participam do programa, espalhadas por toda a cidade.
“Existe uma migração de pessoas pela cidade. E, com isso, o uniforme seria entregue onde estava matriculado no ano anterior. Com isso, fazia com que houvesse troca de uniformes entre as unidades escolares. O aplicativo garante autonomia. A Prefeitura define o valor para comprar os itens, mas a mãe pode falar: ‘O agasalho tá bom, quero comprar mais camiseta.’ A família tem autonomia.“
Transparência
Em 2020, Covas suspendeu uma licitação para aquisição de uniformes escolares após suspeitas de irregularidades. Testes com materiais fornecidos por 20 empresas que disputavam o contrato reprovaram todas as amostras.
Na ocasião, a Prefeitura suspeitou que as empresas estariam forçando uma contratação emergencial — modelo considerado menos transparente.
Com o novo sistema, o processo passou a ser descentralizado, aumentando o controle e a transparência na aplicação dos recursos públicos.
Pequeno comércio
A iniciativa também fomentou o pequeno comércio. Segundo a Secretaria, mais de 1.200 lojas participam da rede credenciada, a maioria formada por pequenos comerciantes.
“A esmagadora maioria são pequeno comércio, que justamente fomenta na cidade inteira“, afirma.
Dados da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE) indicam que o programa gerou R$ 1,4 bilhão em atividade econômica, R$ 675 milhões em PIB e mais de 11,6 mil empregos, com efeitos distribuídos em diversas regiões da capital.
Padula ressalta que esse não era o objetivo central da política, mas um efeito positivo relevante.
“Vemos isso com bons olhos, pois reforça a eficiência do modelo idealizado por Bruno Covas. Garantimos o direito das crianças ao uniforme e ao material e, ao mesmo tempo, geramos emprego e estimulamos o pequeno comércio”, afirma.
Ele conclui: “É motivo de orgulho ter resolvido esse problema. Honramos a ideia do ex-prefeito e garantimos um direito básico às crianças”.
Como funciona
Disponível para Android e iOS, o aplicativo permite consultar saldo, localizar lojas credenciadas e realizar pagamentos via QR Code, sem necessidade de dinheiro em espécie.
Em 2026, os créditos foram liberados já na primeira semana de janeiro — pelo quarto ano consecutivo antes do início do ano letivo. O investimento total ultrapassa R$ 700 milhões, beneficiando mais de 1 milhão de estudantes.
As famílias têm até 31 de outubro de 2026 para utilizar os valores. Os itens podem ser adquiridos em mais de mil lojas credenciadas para uniformes e cerca de 1.180 para material escolar, distribuídas por todas as regiões da cidade.
Neste ano, o kit de uniforme passou a incluir uma camiseta extra. Já o kit de material mantém itens como a mochila, com valores que variam conforme o ciclo de ensino.
Para acessar o sistema, o responsável deve utilizar o CPF — que também funciona como senha no primeiro login — e validar a identidade com documento e selfie. O pagamento é feito diretamente nas lojas, por meio de QR Code gerado no aplicativo.
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