O paraíso brasileiro que ficou esquecido por 400 anos como presídio e hoje tem a praia eleita a melhor do mundo pelo terceiro ano consecutivo
400 anos esquecido como prisão, hoje é o paraíso que abriga a praia eleita a melhor do mundo pela terceira vez
Descoberto em 1503, usado como presídio por mais de dois séculos e depois como base militar, Fernando de Noronha passou por tudo isso antes de se tornar o arquipélago com a praia eleita a melhor do mundo pelo TripAdvisor em 2023, 2024 e 2025, três anos consecutivos, com águas azul-turquesa de visibilidade que ultrapassa 40 metros.
Por que o arquipélago passou 400 anos quase esquecido antes de virar paraíso?
A história de Fernando de Noronha é mais tortuosa do que os roteiros turísticos costumam contar. O navegador Américo Vespúcio chegou ao arquipélago em 1503 e o descreveu como um lugar de beleza ímpar. Em 1504, as ilhas foram doadas a Fernão de Loronha como a primeira capitania hereditária do Brasil, mas nunca chegaram a ser ocupadas pelo donatário. O que veio depois foi uma longa sequência de guerras, ocupações estrangeiras e isolamento.
Em 1737, o arquipélago começou a funcionar como presídio, função que manteve até 1942, quando se tornou Território Federal e base militar estratégica durante a Segunda Guerra Mundial, com uma base americana instalada próximo à Baía Sueste. Desde 1503 até a criação do Parque Nacional Marinho em 1988, segundo o Governo do Distrito Estadual de Fernando de Noronha, são 485 anos de história antes de o arquipélago se transformar em santuário ecológico. A grande virada veio em 1988, quando 70% do território foi declarado Parque Nacional Marinho, e em 2001, quando a UNESCO consagrou o arquipélago como Patrimônio Natural da Humanidade.
Uma curiosidade pouco lembrada: a única imagem de Fernando de Noronha descrita por Vespúcio foi publicada na Europa em 1504 e influenciou o desenho dos primeiros mapas que mostravam o continente americano. O nome “América” só surgiu depois, em 1507, em homenagem ao mesmo navegante que primeiro descreveu aquelas ilhas.

Que reconhecimentos internacionais o arquipélago acumulou?
Fernando de Noronha reúne um conjunto de reconhecimentos que poucas ilhas no mundo conseguem reunir. Os mais relevantes estão listados a seguir:
- UNESCO Patrimônio Natural da Humanidade (2001): o arquipélago, junto ao Atol das Rocas, foi declarado Patrimônio Natural da Humanidade por abrigar mais da metade das águas costeiras insulares do Atlântico Sul tropical e por ser área de reprodução de tartarugas, tubarões e mamíferos marinhos.
- Sítio Ramsar (2007): reconhecimento internacional pela importância das zonas úmidas costeiras e marinhas do arquipélago.
- TripAdvisor Travelers’ Choice Best of the Best 2023, 2024 e 2025: a Baía do Sancho é a única praia a aparecer repetidamente no topo do ranking global, com mais de 8,7 mil avaliações cinco estrelas. É a sétima vez no total que o Sancho lidera o ranking, tendo vencido também em 2014, 2015, 2017, 2019 e 2020.
- 70% de área protegida: o Parque Nacional Marinho, criado em 1988 e administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), cobre 11.270 hectares. Os outros 30% formam uma Área de Proteção Ambiental de 79.706 hectares, com ocupação humana controlada.
O que fazer em Fernando de Noronha além de ir à melhor praia do mundo?
O arquipélago concentra experiências que vão do mergulho de classe mundial à observação de golfinhos ao nascer do sol. O roteiro a seguir cobre o essencial para uma semana no paraíso:
- Baía do Sancho: a praia eleita melhor do mundo em 2023, 2024 e 2025. O acesso exige descer uma escadaria de metal encravada numa fenda vertical entre falésias. Não há quiosques nem guarda-sóis na areia. A visibilidade submersa pode ultrapassar 30 metros, com tartarugas, cardumes e corais visíveis a olho nu.
- Mirante dos Golfinhos: a 55 metros acima do mar, o mirante gratuito oferece a melhor vista da Baía dos Golfinhos, único ponto de todo o Atlântico onde a espécie Stenella longirostris reside em concentração permanente. Grupos de até 2.046 golfinhos-rotadores foram registrados pelo Projeto Golfinho Rotador, que monitora a espécie desde 1990. O banho na baía é proibido. O melhor horário é entre 5h30 e 8h.
- Mergulho no Parque Nacional Marinho: considerado um dos melhores pontos de mergulho do mundo, com 169 espécies de peixes recifais identificadas, tubarões, arraias e visibilidade excepcional. Os pontos mais famosos são o Cabeço e a Laje Dois Irmãos.
- Baía dos Porcos e Morro Dois Irmãos: pequena praia com vista direta para os dois picos vulcânicos que são o cartão-postal do arquipélago. Acesso controlado pelo ICMBio.
- Praia do Leão: área de desova de tartarugas marinhas, monitorada pelo Projeto Tamar. O acesso noturno é proibido de janeiro a junho para proteger as desovas.
- Forte dos Remédios: construção histórica do século XVIII, ponto tradicional para assistir ao pôr do sol com vista para o mar aberto. Faz parte do patrimônio histórico do arquipélago.
Quem sonha em conhecer o paraíso de Fernando de Noronha, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Vou Levar Na Viagem, que conta com mais de 132 mil visualizações, onde a apresentadora mostra um roteiro completo de 5 dias com dicas de praias, taxas, passeios de lancha e mergulho com tartarugas e tubarões na Ilha:
Quando é a melhor época para visitar o arquipélago?
Fernando de Noronha tem clima tropical oceânico com temperatura média de 28°C o ano inteiro. A diferença entre as estações está na intensidade das chuvas e nas condições do mar, que definem o tipo de experiência disponível:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. A estação seca oferece a melhor visibilidade para mergulho. Na chuvosa, de março a julho, duas cachoeiras temporárias descem das falésias direto sobre a areia do Sancho.
Como chegar e quais são as taxas obrigatórias para entrar no arquipélago?
Voos regulares partem de Recife (1h10) e Natal (1h) para o Aeroporto de Fernando de Noronha (FEN). Não há acesso por mar regular para turistas. Ao desembarcar, o visitante paga obrigatoriamente a Taxa de Preservação Ambiental (TPA), cobrada por dia de permanência, cujo valor é atualizado periodicamente pelo governo do distrito. Além da TPA, o acesso às praias do Parque Nacional Marinho exige a compra do ingresso do parque, válido por 10 dias, com valores diferentes para brasileiros e estrangeiros. Ambos os pagamentos podem ser feitos online antes da viagem. O arquipélago fica a 545 km de Recife e 354 km do litoral de Pernambuco.
Um presídio que virou o lugar mais preservado do Atlântico Sul
Fernando de Noronha tem a raridade de um lugar que resiste ao tempo pela beleza e pelas regras. O mesmo isolamento que tornou o arquipélago útil como presídio por dois séculos é o que preservou sua natureza e garantiu que, quando o mundo finalmente prestou atenção, havia algo extraordinário a proteger.
Você precisa acordar antes do sol, subir ao mirante e esperar os golfinhos chegarem do alto-mar para entender por que este arquipélago no meio do Atlântico é, desde 1503, descrito como paraíso.
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