Comitê dos EUA critica Moraes e mira eleições de 2026
Terceiro relatório da Câmara americana acusa ministro do STF de impor restrições com efeitos além das fronteiras brasileiras
O comitê judiciário da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos divulgou nesta quarta-feira, 1º de abril, um novo documento sobre o Brasil em que questiona a atuação do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.
O relatório, intitulado “O Ataque à Liberdade de Expressão no Exterior: O Caso do Brasil”, é o terceiro produzido pelo órgão sobre o tema e afirma que decisões do magistrado podem interferir no processo eleitoral brasileiro previsto para 2026.
O documento sustenta que ordens emitidas por Moraes a plataformas digitais americanas — entre elas Google, X, Meta e Telegram — colocariam essas empresas diante de uma escolha entre atender às determinações brasileiras ou encerrar suas operações no país.
Segundo o comitê, entre setembro de 2025 e fevereiro de 2026, o ministro expediu uma série de ordens sigilosas exigindo a entrega de dados pessoais de usuários. As plataformas teriam sido proibidas de comunicar aos investigados a existência dessas medidas.
Alinhamento político e método de apuração
O comitê é presidido pelo deputado republicano Jim Jordan, aliado de Donald Trump. Em 8 de janeiro de 2026, Jordan se reuniu com o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro e o jornalista Paulo Figueiredo. A composição política da comissão e os interlocutores brasileiros escolhidos indicam o espectro ideológico em que o relatório se insere.
As informações foram obtidas por meio de intimações judiciais nos Estados Unidos, da mesma forma que nos relatórios anteriores, publicados em 2024. O mecanismo permitiu ao comitê acessar cópias de decisões de Moraes e de outras instâncias da Justiça brasileira que determinaram a remoção de publicações e a suspensão de perfis em redes sociais.
A Folha de S.Paulo já havia apontado, ao analisar os documentos anteriores, que o texto valorizava o ângulo político alinhado a apoiadores de Jair Bolsonaro, sem considerar episódios de ataques à democracia por figuras da direita brasileira.
O comitê descreve o senador Flávio Bolsonaro como “candidato líder” para a eleição presidencial de 2026 e argumenta que o conjunto de ações judiciais brasileiras afetaria o equilíbrio do pleito. O relatório não aborda as investigações sobre a tentativa de golpe de Estado que embasam parte das decisões questionadas.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)