Ex-chefe do BC criou empresa para receber recursos ligados ao Banco Master
Segundo investigação, Belline Santana recebeu valores de operador ligado a Vorcaro e é suspeito de enriquecimento ilícito
O ex-chefe de Supervisão do Banco Central, Belline Santana, abriu uma empresa voltada à educação financeira de crianças carentes para receber recursos ligados ao Banco Master, segundo reportagem do Estadão.
No ano passado, o Banco Central iniciou uma investigação para apurar a relação entre Santana e o empresário Leonardo Palhares, apontado pela Polícia Federal como operador do banqueiro Daniel Vorcaro. A apuração identificou indícios de enriquecimento ilícito por parte do ex-servidor.
A empresa Inspiração Projetos, registrada em um endereço residencial em São Paulo, foi criada para oferecer capacitação a crianças e jovens de baixa renda. A abertura ocorreu pouco depois de Santana ter recebido outros pagamentos de Palhares.
Em depoimento à sindicância do Banco Central, Belline afirmou que Palhares ofereceu R$ 2 milhões pelos serviços. O empresário teria realizado dois repasses de R$ 500 mil em 2023.
Segundo o ex-supervisor, os pagamentos chegaram a ser interrompidos após ele se sentir desconfortável com a situação, mas teriam sido retomados posteriormente por meio da nova empresa. Belline declarou ainda que desconhecia a ligação de Palhares com o Banco Master e que os serviços contratados foram efetivamente prestados.
Em março, Santana foi alvo de uma operação da Polícia Federal e descrito pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, como uma espécie de “empregado” e “consultor” de Vorcaro dentro do Banco Central.
De acordo com a PF, Santana e Paulo Sérgio Souza teriam vazado informações sobre o monitoramento de transações financeiras do Banco Master e opinado sobre documentos que seriam apresentados à autoridade monetária.
A investigação aponta ainda que a dupla teria recebido propinas por meio de contratos fictícios, consultorias e até benefícios indiretos, como ajuda para uma viagem à Disney. Os valores envolvidos seguem sob apuração.
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