Projeto repensa o espaço hospitalar para crianças em tratamento de câncer
Trabalho de aluna da FAU-USP apresenta edifício anexo para o hospital oncológico infantojuvenil, com base em pesquisa científica e visitas técnicas à instituição
Uma aluna da FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design da USP) desenvolveu um projeto de expansão para o Hospital do Graacc — Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer — como trabalho de conclusão de graduação.
A proposta, intitulada “Arquitetura que Cuida: um Projeto Baseado em Evidências”, prevê um novo edifício anexo à unidade existente, com o objetivo de ampliar a capacidade de atendimento e qualificar os espaços destinados a pacientes oncológicos pediátricos e seus familiares.
O Graacc é referência no tratamento do câncer em crianças e adolescentes, atendendo pacientes de todas as regiões do Brasil e de outros países da América Latina. Aproximadamente 80% dos atendimentos são custeados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A instituição realiza procedimentos de alta complexidade, como aplicações de quimioterapia e cirurgias, e opera sob crescente demanda — contexto que motivou o estudo.
Da iniciação científica ao TFG
A autora do projeto, Luiza Carneiro de Oliveira, teve contato com a arquitetura hospitalar durante uma pesquisa de iniciação científica desenvolvida em parceria com o Hospital Universitário da USP. Naquela etapa, ela utilizou a metodologia do Projeto Baseado em Evidências (PBE) — conhecida em inglês como Evidence-Based Design (EBD) — para propor uma reforma na farmácia do hospital universitário.
Em 2025, Luiza participou de uma visita técnica ao Graacc, ocasião em que tomou conhecimento da necessidade de expansão da estrutura física da instituição. “Esse contexto acabou despertando meu interesse em desenvolver o meu TFG a partir desse desafio real, investigando de que forma a arquitetura poderia contribuir para qualificar os espaços de cuidado e apoiar o trabalho realizado pelo hospital”, afirmou a autora.
A pesquisa foi orientada pela professora Sheila Walbe Ornstein e coorientada pela pesquisadora Ana Judite Galbiatti Limongi França. O trabalho recebeu aprovação prévia do Comitê de Ética em Pesquisa, o que reforça seu embasamento acadêmico e científico.
Método e alcance do projeto
Para desenvolver a proposta, Luiza realizou revisão sistemática da literatura sobre arquitetura hospitalar e experiência do paciente, analisou normas técnicas vigentes, estudou unidades hospitalares de referência internacional e conduziu entrevistas com profissionais que atuam no Graacc. O método PBE orienta as decisões de projeto com base em evidências científicas, buscando traduzir dados de pesquisa em escolhas concretas de espaço, circulação e ambientação.
A banca examinadora apontou a articulação entre rigor técnico e atenção ao usuário como um dos pontos do trabalho. A orientadora Sheila Walbe Ornstein observou que, em tratamentos de longa duração envolvendo crianças, “é preciso que o arquiteto tenha um olhar muito apurado frente à complexidade e à interdisciplinaridade do problema, sem esquecer a necessidade de humanização dos espaços”.
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