13 mil pessoas por km² e nenhuma área rural: a cidade mais “apertada” do Brasil tem seu próprio Cristo Redentor
A cidade que alcançou densidade extrema e virou a mais compacta do Brasil
A 15 km da Praça da Sé, Taboão da Serra comprime mais de 273 mil moradores em apenas 20 km², tem seu próprio Cristo Redentor no alto de um morro e ostenta 13.416 habitantes por km², a maior densidade demográfica do país segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Por que a cidade lidera o ranking nacional de densidade
Dois fatores explicam a liderança de Taboão da Serra no Censo 2022: população elevada e território minúsculo. O município é o 9º menor do Brasil em área e o 5º menor do estado de São Paulo. Ao mesmo tempo, figura como a 27ª cidade mais populosa do estado. O resultado é uma ocupação urbana que cobre 100% do território, sem nenhum metro quadrado classificado como área rural pelo IBGE.
Para efeito de comparação, a capital paulista tem 7,3 mil habitantes por km², quase metade do índice taboanense. Diadema, a segunda colocada no ranking, registra 12.795 hab/km². O apelido popular resume o cenário: Taboão da Serra é chamada de “formigueiro das Américas”.

Uma fábrica de vacinas que gerou uma cidade
Antes de virar município, a região abrigou uma indústria que mudou seu destino. O Instituto Pinheiros, instalado em 1938 entre os atuais bairros Arraial Paulista, Parque Pinheiros e Vila Iasi, produzia vacinas e soros nos moldes do Instituto Butantan. A fábrica foi a primeira grande empresa local e chegou a empregar moradores de cidades vizinhas, como Embu das Artes e Itapecerica da Serra.
O impacto do Instituto Pinheiros ultrapassou a saúde pública. Funcionários da fábrica, ao lado de donos de olarias e chácaras, formaram a chamada Comissão dos 9, grupo que organizou abaixo-assinados e mobilizações junto à Assembleia Legislativa de São Paulo. O resultado veio em 31 de dezembro de 1958, quando a Lei 5.121 criou o município de Taboão da Serra, desmembrado de Itapecerica da Serra. Nos anos 1970, o instituto fechou as portas e seu terreno deu lugar aos loteamentos que hoje formam o Parque Pinheiros, o maior bairro da cidade.
A primeira prefeita eleita no Brasil pós-1946 era taboanense
Em 1963, enquanto o país ainda restringia a participação feminina na vida pública, Taboão da Serra elegeu Laurita Ortega Mari como prefeita. Ela foi a primeira mulher a vencer uma eleição municipal no Brasil após a redemocratização de 1946. A vitória chamou tanta atenção que o jornal O Estado de S. Paulo dedicou uma página inteira ao fato, na edição de 18 de outubro daquele ano.
Laurita governou de 1964 a 1969 e doava os próprios vencimentos do cargo. Entre suas obras, estão melhorias viárias e a construção do Cemitério da Saudade. Nascida no Rio de Janeiro em 1908, ela faleceu em 1977. Hoje, uma avenida e a honraria Medalha Laurita Ortega Mari, concedida anualmente pela Câmara Municipal, mantêm viva sua memória.
Quem busca conhecer o desenvolvimento de Taboão da Serra, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Cidades & Cia, que conta com mais de 7.739 visualizações, onde Rubens mostra o avanço econômico e a infraestrutura da cidade em São Paulo:
O Cristo Redentor que veio antes da própria cidade
No alto do morro da Vila Pazzini, uma estátua do Cristo Redentor observa Taboão da Serra. O detalhe surpreendente é que o monumento é mais antigo que o próprio município. Segundo relatos históricos, a estátua já existia antes da emancipação de 1959, o que a torna um dos marcos mais longevos da região.
A importância do Cristo foi oficializada pela Lei Municipal nº 1.631/2006, que incorporou a estátua e seu entorno ao patrimônio histórico e cultural da cidade. A lei proíbe remoção, demolição ou qualquer obra que prejudique sua preservação. O monumento também aparece no hino oficial de Taboão da Serra, composto pelo jornalista Waldemar Gonçalves. Em 2006, a réplica original inspirada no Corcovado foi substituída por um modelo barroco feito por artesãos de Embu das Artes.
Da taboa ao asfalto: como nasceu o nome da cidade
O nome Taboão vem da planta taboa, espécie rústica que cresce em brejos e margens de rios. Em tupi, os indígenas a chamavam de “peri-peri”. Antes da urbanização, a vegetação cobria as áreas alagadiças entre os córregos Poá e Pirajuçara, e servia para a confecção de esteiras e artesanato. O complemento “da Serra” foi acrescentado como homenagem a Itapecerica da Serra, a cidade-mãe.
Outro símbolo vegetal permanece vivo na memória local: a Pitangueira do Seu Zeca, plantada no Largo do Taboão há mais de 55 anos. A árvore precisou ser removida na década de 1970 para a ampliação da Rodovia Régis Bittencourt, mas foi replantada ao lado da casa paroquial do Santuário Santa Terezinha. Em 2008, a Câmara Municipal oficializou a pitangueira como árvore símbolo de Taboão da Serra.
O formigueiro que não para de crescer
Taboão da Serra transforma limitação em identidade. Com 100% de urbanização, sem terrenos livres e uma população estimada em 285.307 pessoas para 2025, o município segue crescendo dentro de fronteiras que não mudam. A taxa de escolarização entre crianças de 6 a 14 anos é de 98,55%, segundo o IBGE, e a cidade mantém um perfil econômico forte no comércio e nos serviços desde que grandes varejistas se instalaram nos anos 2000.
Você precisa conhecer Taboão da Serra para entender como uma cidade de 20 km² consegue ser, ao mesmo tempo, a mais densa do Brasil, berço de uma prefeita pioneira e dona de um Cristo Redentor mais velho que ela mesma.
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