CAS pune federação russa de xadrez por ocupação na Ucrânia
Tribunal esportivo internacional dá 90 dias para a Rússia encerrar atividades em regiões como Crimeia e Donbas
O Tribunal Arbitral do Esporte (CAS) determinou que a federação russa de xadrez deve encerrar suas atividades em territórios ucranianos sob ocupação militar. O prazo estabelecido é de 90 dias. O descumprimento resultará em suspensão automática da filiação à Fide, a federação internacional da modalidade, por até três anos.
A decisão substitui uma penalidade anterior imposta pela própria Fide — uma multa de 45 mil euros —, considerada insuficiente pelo tribunal. Se o valor já tiver sido recolhido, o CAS determinou que seja devolvido à federação russa.
Violação reconhecida
O painel do CAS confirmou que a federação russa incorporou e administrou estruturas regionais de xadrez em territórios internacionalmente reconhecidos como parte da Ucrânia: Crimeia, Donetsk, Luhansk, Kherson e Zaporizhzhia. Segundo o tribunal, essa conduta violou a “integridade territorial e a soberania” da federação ucraniana, além de contrariar princípios que regem o xadrez internacional.
O caso tem origem em uma reclamação apresentada em 2023 pela federação ucraniana. O órgão de ética da Fide havia inicialmente imposto uma suspensão de dois anos, sujeita a condições. A câmara de apelações da entidade reduziu a sanção para a multa — decisão agora revertida pelo CAS.
Fide sob pressão
A Fide afirmou, em comunicado, que “estudará com atenção os detalhes e conduzirá consultas com assessoria jurídica suíça e sua Comissão Constitucional para determinar as medidas de implementação adequadas”. A entidade declarou estar “plenamente comprometida em respeitar as decisões do Tribunal Arbitral do Esporte e agir em total conformidade com seu estatuto e regulamentos”.
O tribunal, porém, rejeitou acusações mais abrangentes contra a Fide e seu presidente, Arkady Dvorkovich, entre elas, alegações sobre neutralidade política e vínculos com pessoas sancionadas por outros países.
Ao encerrar a decisão, o CAS instou as partes e a Fide a buscar um acordo negociado que permita aos jogadores das regiões afetadas participar de competições sem que questões de soberania territorial sejam comprometidas — um reconhecimento de que atletas estão no centro de um conflito que extrapola os limites do esporte.
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