EUA avaliam designar PCC e CV terroristas por “pressão dos Bolsonaros”, diz NYT
Reportagem aponta articulação de Flávio Bolsonaro e ganho político do senador em eventual classificação por parte do governo Trump
Os Estados Unidos avaliam designar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras (FTOs, na sigla em inglês) por pressão “dos Bolsonaros”, segundo o jornal The New York Times.
De acordo com a reportagem, a eventual classificação poderia favorecer o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, ao ampliar sua visibilidade no debate sobre segurança pública.
O filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tem desafiado o presidente Lula (PT) a ser mais duro contra a criminalidade.
“No ano passado, o Sr. Trump usou tarifas e sanções para tentar impedir que o Sr. Bolsonaro fosse preso sob a acusação de orquestrar um golpe de Estado após perder a última eleição em 2022 para o Sr. Lula. O Sr. Bolsonaro acabou sendo condenado e sentenciado à prisão”, diz a matéria.
O governo Lula é contra, tanto que mandou o chanceler Mauro Vieira falar com o secretário de Estado Marco Rubio com o objetivo de impedir a medida, alegando que se trataria de um desrespeito à soberania brasileira (leia o artigo Soberania em xeque de Márcio Coimbra).
Segundo o Departamento de Estado, as duas maiores organizações criminosas brasileiras representam “ameaças significativas à segurança regional devido ao seu envolvimento no tráfico de drogas, na violência e no crime transnacional”.
Lobby de Flávio?
O NYT afirma que Flávio Bolsonaro viajou recentemente a Washington para se reunir com autoridades da Casa Branca e do Departamento de Estado.
A visita contou também com a presença do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro.
Na ocasião, o senador apresentou um relatório sobre as atividades do PCC e do CV no Brasil e nos Estados Unidos, incluindo detalhes sobre suposto tráfico de armas e esquemas de lavagem de dinheiro.
Washington
A designação do PCC e CV como organizações terroristas é uma prerrogativa soberana dos Estados Unidos.
Há múltiplos registros da atuação das duas maiores facções criminosas brasileiras em solo americano.
Na Flórida, o PCC é investigado pelo FBI por investir na compra de imóveis com o objetivo de lavar dinheiro em dólar.
Em 2024, o traficante Diego Macedo Gonçalves, conhecido como “Brahma”, ligado ao PCC, foi incluído na lista de sanções do Tesouro americano por envolvimento com o tráfico internacional de drogas.
Investigações da Polícia Federal (PF) revelaram que armas e peças são adquiridas por intermediários nos Estados Unidos e enviadas ilegalmente ao Brasil com destino ao CV.
Em 2017, sessenta fuzis vindos de Miami foram apreendidos no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro.
Leia mais: De faccionados para terroristas
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (1)
Marian
27.03.2026 19:53A Casa Branca está pressionada ... por Bolsonaros! hahaha. E as ligações de facções com o terrorismo? eh, tem quem escreva isso.