Cachorro desenterra garrafa de veneno do período vitoriano
A garrafa foi desenterrada por um Labrador durante escavações insistentes no gramado da família
Enterrada em um jardim tranquilo na pequena Clyst Honiton, no sudoeste da Inglaterra, uma garrafa azul-vitoriana com a inscrição “Not To Be Taken” reacendeu o interesse por um crime de envenenamento ocorrido há cerca de 160 anos, conectando um achado casual à memória de um dos casos mais comentados do período vitoriano.
Qual é a importância histórica da garrafa de veneno vitoriana?
A garrafa foi desenterrada por um Labrador durante escavações insistentes no gramado da família. Ao perceber que não se tratava de tubulação, mas de um frasco intacto, o morador identificou o vidro azul texturizado como típico de recipientes de veneno da era vitoriana.
Esse tipo de frasco era usado para armazenar substâncias como arsênico e estricnina, comuns em contextos domésticos, agrícolas e farmacêuticos. A coincidência entre localização, época estimada e tipologia aproximou o objeto de um famoso homicídio por envenenamento na mesma vila.

Como a garrafa se relaciona ao crime de 1865 em Clyst Honiton?
Registros indicam que Mary Ann Ashford foi condenada pela morte do marido, William, em 1865, após suspeita de envenenamento do chá. Documentos mencionam traços de arsênico e estricnina ligados a ela, reforçando a hipótese do uso de veneno vitoriano.
Embora não haja prova pericial conectando diretamente o frasco ao crime, a proximidade com a antiga residência do casal e o padrão do vidro sugerem que a garrafa pode ser um resquício material daquela trama, ou de práticas semelhantes de manipulação de tóxicos na região.
Quais características tornaram os frascos vitorianos símbolo de perigo?
No século XIX, acidentes com venenos eram frequentes, pois compostos tóxicos circulavam livremente em casas, fazendas e comércios. Para reduzir riscos, fabricantes padronizaram recipientes especiais, facilmente reconhecíveis, inclusive no escuro.
Esses frascos apresentavam elementos visuais e táteis marcantes, como:
- Vidro grosso, em azul ou verde intenso, para chamar atenção imediata;
- Superfície rugosa, permitindo identificação tátil por cegos ou à luz de velas;
- Inscrições em relevo, como “Not To Be Taken” ou “Poison”;
- Formatos e tamanhos variados, adequados a usos domésticos e comerciais.
O que o caso Mary Ann Ashford revela sobre justiça e pena de morte vitoriana?
Após julgamento amplamente noticiado, Mary Ann foi condenada por “assassinato por envenenamento” e executada por enforcamento diante de uma multidão estimada em 20 mil pessoas. Relatos descrevem uma morte lenta, que chocou o público.
Historiadores do direito apontam que episódios como esse alimentaram críticas às execuções públicas, vistas como espetáculo brutal. O caso passou a ser citado em debates que contribuíram para o fim das enforcamentos em praça aberta na Inglaterra.
Como essa descoberta reacende o interesse pela história local?
O proprietário afirma que o terreno já abrigou um grande celeiro de sidra no século XIX, próximo à casa dos Ashford. A garrafa, agora tratada como peça histórica, incentiva a busca por mapas, registros fundiários e documentos judiciais da época.
Historiadores locais avaliam cruzar o achado com arquivos de jornais e tribunais, investigando o descarte de venenos e o cotidiano da vila vitoriana. Assim, um objeto esquecido sob o solo tornou-se elo concreto entre um jardim atual e debates passados sobre crime, perigo químico e pena capital.
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