“Não está interessado que Lula seja reeleito”, diz Waguinho sobre Paes
Ex-prefeito de Belford Roxo anuncia pré-candidatura ao governo do Rio e aponta falhas na estratégia eleitoral do presidente no estado
Waguinho Carneiro (Republicanos), ex-prefeito de Belford Roxo e um dos principais apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Rio de Janeiro, declarou ter intenção de disputar o governo fluminense em 2026. O argumento é que Eduardo Paes (PSD), candidato já referendado por Lula ao Palácio Guanabara, não ofereceria ao presidente um apoio político de fato nos redutos eleitorais fora da capital.
Para Waguinho, Paes concentra sua atuação na zona sul do Rio de Janeiro e não tem penetração na Baixada Fluminense, no Norte, no Noroeste, nas regiões interioranas e no Sul fluminense. “O presidente ficaria desfalcado nessa região, não de apoio, mas desfalcado de ter um palanque genuíno quando ele precisasse ir nesses lugares”, afirmou o ex-prefeito.
Dúvidas sobre o alinhamento de Paes com Lula
Waguinho listou episódios que, segundo ele, evidenciam a ambiguidade do prefeito carioca em relação ao campo político do presidente. Em setembro do ano passado, Paes manifestou solidariedade ao pastor Silas Malafaia, após uma ação da Polícia Federal, declarando: “Mexeu com Silas, mexeu comigo”.
O ex-prefeito de Belford Roxo também citou a escolha de Jane Reis como vice na chapa de Paes. Jane é irmã de Washington Reis, ex-prefeito de Duque de Caxias cuja família tem proximidade com os Bolsonaro. Para Waguinho, as movimentações de Paes indicam que o prefeito está orientado pela própria eleição, e não pela reeleição de Lula.
“O prefeito Eduardo Paes já tem demonstrado que não terá tanto interesse na reeleição do presidente Lula”, disse. “De 100%, eu acho que 1% ele está contribuindo. E 99% ele não está interessado que o presidente Lula seja reeleito ou não”.
Crítica ao ministro Sidônio e a crise com evangélicos
Waguinho, que é evangélico, também criticou o ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira. O alvo foi o episódio envolvendo a escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou Lula no Carnaval deste ano e levou à avenida uma ala com conteúdo interpretado como ofensivo a grupos conservadores. A agremiação foi posteriormente rebaixada.
Na avaliação do ex-prefeito, cabia à Secom monitorar o desfile antes de ele ocorrer. “Nós temos, em primeiro lugar, uma falha muito grande do ministro da Comunicação, o Sidônio. Porque se o presidente da República vai ser homenageado por uma escola de samba e se eu cuido da comunicação do presidente, eu não posso deixar o presidente em maus lençóis”, declarou.
Waguinho argumentou que, com acompanhamento prévio do conteúdo, “o presidente não teria passado por esse constrangimento”.
Para o pré-candidato, o desgaste com o eleitorado evangélico pode ser revertido, mas exige ação imediata. “Não pode deixar para fazer isso na hora da eleição. A gente tem que mostrar e provar que o presidente não tem nada a ver com isso. Não foi ele que mandou fazer isso”, defendeu.
“A gente não pode perder esses votos. A gente tem que estancar essa sangria toda. Foi a missão que eu tive em 2022”, afirmou.
A Secom não se manifestou sobre as críticas. Eduardo Paes não respondeu aos pedidos de manifestação sobre as declarações feitas por Waguinho.
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