Relatora da ONU acusa Israel de tortura sistemática contra palestinos
Francesca Albanese apresenta relatório ao Conselho de Direitos Humanos e afirma que a prática se tornou política de Estado; Israel rebate
“Foi dada a Israel, na prática, uma licença para torturar palestinos porque a maioria de seus governos, seus ministros, o permitiram”, afirmou Francesca Albanese, relatora especial da ONU para os Territórios Palestinos Ocupados, durante a apresentação nesta segunda-feira, 23, de seu relatório ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, em Genebra.
Relatório aponta tortura além das prisões
O documento apresentado por Albanese sustenta que a tortura contra palestinos ocorre em uma escala que “sugere vingança coletiva e intenção destrutiva”. Segundo a relatora, a prática não se restringe ao ambiente carcerário: “A tortura vai muito além dos muros das prisões, no que só pode ser descrito como um ambiente torturador imposto por Israel em todo o território palestino ocupado”.
Albanese descreveu a vida nos territórios ocupados como “uma continuidade de sofrimento físico e mental”, e disse que os testemunhos recolhidos por ela e por outros investigadores constituem “provas de crimes abomináveis dirigidos contra a totalidade do povo palestino, na totalidade da terra ocupada, mediante uma conduta criminosa”.
A especialista também alertou que a omissão da comunidade internacional diante do que ocorre nos territórios palestinos pode ter efeitos em outras regiões. “O desprezo pelo direito internacional não vai parar na Palestina. Já se desenvolve do Líbano ao Irã, nos países do Golfo e na Venezuela. E se não for contido, se estenderá muito além”, declarou.
Israel rejeita o relatório e ataca a relatora
A missão de Israel em Genebra divulgou um comunicado em que rechaça as conclusões do relatório. Para o governo israelense, Albanese “não é uma defensora dos direitos humanos; é um agente do caos (…) E qualquer documento que produza não é mais que uma diatribe ativista carregada politicamente”.
O comunicado ainda afirma que a especialista “promove narrativas extremistas perigosas para minar a própria existência do Estado de Israel”. Israel e alguns de seus aliados têm acusado Albanese de antissemitismo e pedido sua destituição do cargo em diferentes ocasiões.
Vale registrar que, embora os relatores especiais sejam indicados pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, eles atuam como especialistas independentes e não representam as Nações Unidas de forma oficial. As conclusões e declarações de Albanese são de sua responsabilidade exclusiva.
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Comentários (1)
Marcos
23.03.2026 19:21A ONU É O HAMAS. A ONU É O HEZBOLLAH. A ONU É O ISIS. SÓ DEFENDEM TERRORISTAS.