Unesp reformula especializações com foco em demandas regionais
Universidade paulista reestrutura pós-graduações lato sensu e firma parcerias com o governo estadual para atender setores como segurança pública e gestão ambiental
A Universidade Estadual Paulista (Unesp) tem promovido uma reorganização de seus cursos de especialização, com o objetivo de aproximar a formação continuada das necessidades econômicas e tecnológicas de cada região onde mantém campi. A iniciativa é coordenada pela Pró-Reitoria de Pós-Graduação em conjunto com a Coordenadoria de Desenvolvimento Profissional e Práticas Pedagógicas (CDeP3), e está em andamento desde 2024.
A universidade conta atualmente com 30 especializações ativas, oferecidas nos formatos presencial, híbrido e a distância. Com duração mínima de 360 horas, esses cursos integram a pós-graduação lato sensu e podem ser custeados pelos próprios alunos ou por meio de contratos com órgãos públicos e instituições privadas.
O professor Rodrigo Fernando Costa Marques, assessor da Pró-Reitoria de Pós-Graduação e presidente da Comissão de Especialização da Pós-Graduação (CEPG), percorreu 11 campi da Unesp desde 2024 para mapear vocações locais e identificar possíveis parceiros.
Parcerias com o Estado
Entre os cursos surgidos nesse contexto está “Direitos Humanos e sua Aplicação na Polícia Penal”, promovido pelo Departamento de Direito Público da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais do campus de Franca, em parceria com a Polícia Penal paulista. A formação, com duração de 18 meses e carga horária de 380 horas, é voltada a profissionais e gestores do Sistema Penitenciário Paulista e tem financiamento integral do governo estadual.
A Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) do Estado de São Paulo também firmou acordo com a universidade, ainda em fase de assinatura de contrato, para a oferta de duas especializações: “Gerenciamento de Recursos Hídricos e Planejamento Ambiental em Bacias Hidrográficas” e “Gestão Pública Municipal”, sediadas em campi distintos.
A pró-reitora de pós-graduação Maria Valnice Boldrin afirma que as especializações não concorrem com mestrados e doutorados: “As pós-graduações lato sensu não competem, e sim complementam de certa forma as pós-graduações stricto sensu, pois atendem a públicos distintos”.
Estrutura e financiamento
O curso mais antigo do portfólio é a especialização em endodontia, oferecida no campus de Araçatuba, que está na 33ª edição, com 24 meses de duração e 864 horas de aulas. Atualmente, três cursos têm inscrições abertas: endodontia (Araraquara), implantodontia (São José dos Campos) e tecnologias inteligentes, inovação e sustentabilidade (Sorocaba) — todos presenciais.
Para ser aprovada, cada nova especialização precisa passar por etapas internas: deliberação do departamento da unidade responsável, aprovação pela congregação — instância máxima da unidade universitária — e aval da CEPG.
Do ponto de vista financeiro, 5% da Taxa de Contribuição e Desenvolvimento da Universidade (TCDU) arrecadada com esses cursos são repassados à Pró-Reitoria de Pós-Graduação. O restante permanece nas unidades, que podem utilizar os recursos para participação de docentes em congressos ou atividades de campo vinculadas às especializações. “É uma forma também de atrair recurso”, afirma o professor Rodrigo Costa Marques.
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