PGR identifica contador como mandante em caso de dados vazados
Suspeito foi preso no Rio por ordem de Moraes; esquema teria atingido ministros do STF, do TCU, parlamentares e outras autoridades
A Procuradoria-Geral da República (PGR) apontou Washington Travassos de Azevedo, contador preso no Rio de Janeiro, como um dos responsáveis pelo acesso ilegal a dados da Declaração de Imposto de Renda de 1.819 contribuintes, incluindo ministros do STF, do TCU, deputados federais, ex-senadores, ex-governador, dirigentes de agências reguladoras e empresários.
A suspeita é de que ele tenha participado de um esquema para obtenção e eventual venda dessas informações protegidas por sigilo fiscal.
Segundo o STF, Washington foi apontado pela Polícia Federal como “um dos mandantes na cadeia de obtenção de dados fiscais protegidos por sigilo funcional”.
O esquema teria envolvido o download das declarações de Imposto de Renda de diversas pessoas de notoriedade pública, entre janeiro de 2024 e janeiro de 2026.
O contador está inscrito no Conselho Federal de Contabilidade e mantém uma firma no Rio desde 2015, além de ter aberto recentemente uma empresa em São Paulo.
Ordem de Moraes
Ele foi preso por determinação do ministro Alexandre de Moraes (foto) e conduzido pela PF ao sistema prisional do Rio.
A prisão ocorreu em 13 de março no presídio José Frederico Marques, em Benfica, e posteriormente Washington foi transferido para Bangu 8. A audiência de custódia foi realizada no dia 14, e manteve a detenção.
A PF já havia deflagrado, no início de março, uma operação com mandados de busca e apreensão e prisões temporárias contra suspeitos de vazamento de dados fiscais.
Entre os investigados estavam servidores da Receita Federal, técnicos e até vigilantes.
Em depoimento, Washington teria admitido ter acessado dados de forma ilegal e indicou o destinatário das informações, mas outros nomes da investigação permanecem sob sigilo.
Entre os dados obtidos estavam informações fiscais da advogada Viviane de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes.
A defesa do contador, representada pelo advogado Eric Cwajgenbaum, afirma que ainda não teve acesso à decisão que determinou a prisão preventiva nem às ordens de busca e de tornozeleira eletrônica.
O STF informou que Washington não acessou apenas dados de familiares do ministro, mas de diversas autoridades e pessoas públicas.
A Corte afirmou ainda que ele foi identificado como um dos mandantes na organização criminosa que obtinha ilegalmente os dados.
Esta é a primeira prisão de que se tem notícia na investigação sobre vazamento de informações fiscais de integrantes do STF e seus familiares. Antes, seis pessoas já haviam sido alvo de buscas e receberam tornozeleiras eletrônicas.
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Comentários (2)
Fabio
22.03.2026 11:18E quem vai prender o Xandão?
Rosa
22.03.2026 10:15A coisa era bem parecida nos tempos da ditadura.....