Um guia de sobrevivência para quem vai ao Lollapalooza
Médico do pronto-socorro do HSPE lista medidas preventivas para quem vai ao festival sob sol e calor
O Lollapalooza, um dos maiores festivais de música do mundo, chega ao Brasil. A 13ª edição do festival começa nesta sexta-feira, 20, e vai até domingo, 22, no Autódromo de Interlagos, SP, e terá Sabrina Carpenter, Tyler, The Creator, Chappell Roan, Deftones, Skrillex e Lorde como principais atrações.
Como em todo evento ao ar livre, alguns cuidados precisam ser considerados. Os riscos mais comuns – que levam mais gente a terminar o show no ambulatório médico – são hidratação insuficiente, exposição solar prolongada e alimentação inadequada.
O coordenador do Pronto-Socorro do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE), em São Paulo, Dr. Christian Ricardo Ibsen, aponta que planejamento e prevenção são os principais aliados de quem pretende passar horas em ambientes abertos.
Água e comida no centro da estratégia
A ingestão regular de água (água, hein?) é o ponto de partida. A recomendação é consumir entre 200 ml e 300 ml a cada 30 ou 40 minutos, tendo sede ou não. O calor, a movimentação intensa e o consumo de álcool aceleram a perda de líquidos e sais minerais — e os sinais de desidratação, como tontura, dor de cabeça, fraqueza e urina escura, podem surgir sem aviso prévio.
“Se surgirem esses sinais, a pessoa deve parar, procurar um local com sombra, sentar-se e iniciar a hidratação imediatamente”, orienta Ibsen. Para quem consome bebidas alcoólicas, a indicação é intercalar com água ao longo do dia e ficar atento aos pontos de distribuição gratuita presentes nos eventos.
No campo da alimentação, passar muitas horas sem comer compromete os níveis de energia e pode causar mal-estar. Frutas como banana, maçã e uva, além de castanhas, biscoitos, torradas e sanduíches simples são opções adequadas ao contexto. Frituras, refeições gordurosas e álcool consumido em jejum, por outro lado, favorecem refluxo, sonolência e desconforto gastrointestinal.
Sol, lama, pés e cansaço
A proteção contra o sol exige protetor com fator mínimo de 30, reaplicado a cada duas ou três horas, além de chapéu ou boné e óculos escuros. A insolação ocorre quando o organismo perde a capacidade de dissipar o calor de forma eficiente. “Nesses casos, a orientação é ir imediatamente para um local com sombra, hidratar-se e tentar resfriar o corpo”, explica o médico.
O contato com lama merece atenção específica. O material pode conter bactérias ambientais capazes de contaminar o organismo por meio de cortes ou feridas na pele. “Evitar andar descalço e higienizar pequenos ferimentos são medidas importantes”, recomenda Ibsen. Calçados úmidos usados por horas seguidas favorecem o surgimento de bolhas, frieiras e maceração da pele (condição em que o tecido amolece e se deteriora pelo contato prolongado com a umidade).
Para quem permanece no festival por vários dias, a qualidade do sono (certo…) interfere diretamente no desempenho físico. Uma única noite de descanso insuficiente reduz a resposta imunológica, aumenta a fadiga e compromete a concentração. Quando o cansaço aparecer durante o evento, a recomendação é pausar, alimentar-se levemente, hidratar-se e buscar um local com sombra por alguns minutos.
Por fim, o médico alerta para o consumo de bebidas energéticas, que podem elevar a frequência cardíaca, provocar ansiedade e palpitações, além de agravar a desidratação, sobretudo quando misturadas com álcool.
“O ideal é evitar exageros e não misturar energéticos com álcool em grandes quantidades”, conclui Ibsen.
Evita exageros? Ok, doutor.
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