Como são experiências de quase morte que assombram as pessoas nos piores momentos de suas vidas
Sensações intensas e relatos semelhantes levantam dúvidas sobre a morte. Veja o que a ciência já sabe sobre experiências de quase morte
Entre histórias de túnel de luz, sensação de paz e gente que “viu tudo de fora” da mesa de cirurgia, as experiências de quase morte seguem intrigando médicos, cientistas e curiosos, misturando ciência, relatos pessoais e muitas perguntas sem resposta, mas com algo em comum: quem passa por isso raramente volta igual.
O que é uma experiência de quase morte
A experiência de quase morte (EQM) é um conjunto de sensações relatadas por pessoas que chegaram perigosamente perto de morrer, em situações de parada cardíaca, ausência de respiração ou interrupção grave da circulação. Graças a técnicas modernas de ressuscitação, essas pessoas são reanimadas e descrevem vivências intensas nesse intervalo entre o “fim” clínico e o retorno à vida.
O termo ganhou destaque em 1975, com o livro Vida Depois da Vida, do psiquiatra Raymond Moody, que analisou cerca de 150 relatos e identificou padrões que se repetem em diferentes culturas. Desde então, EQM se tornou tema de estudos científicos, documentários e debates sobre o que acontece quando alguém chega à beira da morte e volta.

Principais sinais relatados em experiências de quase morte
Ao comparar depoimentos, pesquisadores notaram que muitas EQMs seguem um roteiro semelhante, mesmo em pessoas que nunca ouviram falar do assunto. Entre os elementos mais descritos estão sensação intensa de paz, ausência de dor, um zumbido forte, a impressão de sair do próprio corpo e observar tudo “de cima” e a passagem por um túnel em direção a uma luz.
Muitos relatos incluem encontros com parentes falecidos ou seres espirituais, retrospectiva da própria vida e percepção ampliada do ambiente, inclusive detalhes da sala de cirurgia. Alguns mencionam ainda um “limite” simbólico que não poderia ser ultrapassado sem abandonar a vida material, reforçando a ideia de padrões recorrentes nessas experiências.
Além disso, estudos comparativos começaram a mapear elementos estruturais que aparecem com frequência nas EQMs:

Semelhanças e diferenças entre EQMs e drogas psicodélicas
Pesquisadores também investigam se EQMs seriam apenas efeitos extremos do cérebro, parecidos com experiências sob drogas psicodélicas. Um estudo da Universidade Johns Hopkins comparou mais de 3.000 pessoas: um grupo com EQM sem uso de substâncias e outro com vivências intensas induzidas por drogas, observando pontos em comum e diferenças marcantes.
Ambos os grupos relataram revelações sobre o sentido da vida e menor medo da morte, mas nas EQMs tudo costuma ocorrer em intervalo muito curto, muitas vezes em menos de cinco minutos. Estimativas sugerem que entre 30% e 40% dos que quase morreram relatam algo do tipo, e relatos semelhantes já aparecem desde a Antiguidade, como em textos atribuídos a Platão.
O que a ciência sabe sobre consciência e cérebro nas EQMs
Estudos recentes monitoram a atividade cerebral de pacientes em parada cardíaca para entender o que acontece durante a “morte clínica”. O médico Sam Parnia, referência em ressuscitação, argumenta que a morte é hoje um processo parcialmente reversível e registrou ondas cerebrais variadas (gama, delta, teta, alfa e beta) mesmo com o coração parado.
Esses achados sugerem alguma atividade cerebral quando o paciente já é considerado tecnicamente morto, embora haja críticas quanto à ligação direta com consciência. Pesquisadores como Bruce Greyson defendem que as EQMs podem apontar limites do modelo atual mente-cérebro, levantando a hipótese de que a consciência não esteja totalmente restrita ao órgão físico.
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Fatores que não explicam completamente as experiências de quase morte
Para entender melhor as EQMs, cientistas também descartam explicações simplistas e comparam diferentes hipóteses. Estudos com adultos e crianças indicam que essas experiências não se limitam a um perfil psicológico, religião específica ou idade, nem parecem ser apenas fruto de expectativas culturais sobre céu e inferno.
Embora mecanismos como falta de oxigênio, efeitos de medicamentos, estresse extremo e construções culturais possam influenciar a forma como a experiência é lembrada e narrada, eles não dão conta de toda a complexidade e consistência dos relatos. Pesquisas apontam que pessoas sem crenças religiosas, crianças pequenas e indivíduos de diferentes contextos culturais descrevem padrões muito semelhantes, o que mantém o fenômeno em aberto e alimenta o debate sobre se estamos diante apenas de um produto do cérebro em colapso ou de algo que desafia nosso entendimento atual sobre a consciência.
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