Como a internet capturou um dos seres humanos mais sanguinários da humanidade
Uma história real que começou como mistério online acabou revelando algo muito maior. Veja como tudo foi descoberto passo a passo
Em janeiro de 2025, um homem vietnamita obcecado por decapitação desapareceu. Meses depois, sua conta no Facebook “voltou à vida” com uma postagem dizendo que estava saindo da rede social para sempre, embora ele já estivesse morto havia cerca de seis meses — com a própria morte registrada em vídeo e vendida em grupos clandestinos na internet.
Como surgiram os vídeos que chocaram a internet
Três gravações divulgadas no site Watch People Die ficaram conhecidas como uma trilogia macabra: “O Ensaio”, “A Execução” e “O Esquartejamento”. Tudo parecia planejado em etapas, como um filme de terror roteirizado, mas com pessoas reais.
No primeiro vídeo, dois homens em um ambiente de escritório simulam uma decapitação com um cutelo, em tom quase teatral. No segundo, gravado em um banheiro, os mesmos homens aparecem nus e a decapitação de fato acontece, registrada de vários ângulos por múltiplos celulares.

Quem era a vítima e como surgiu a fixação por decapitação
Detetives amadores passaram a investigar a partir da circulação dos vídeos e uma pista anônima apontou o nome da provável vítima: Nguyen Dat. Perfis em fóruns exibiam descrições explícitas de desejo de morrer decapitado, com apelidos como “Dat beheading”.
Investigadores ligaram essa obsessão ao mangá “Candidato à Morte”, em que um personagem é decapitado no ápice do prazer sexual e permanece “consciente” após perder a cabeça. Por anos, Dat teria procurado alguém disposto a transformar essa fantasia em realidade, até encontrar o executor.
Como a internet identificou o açougueiro vietnamita
A figura central do crime ficou conhecida como “Vietnamese Butcher”. Uma selfie segurando a cabeça da vítima, com cicatriz acima da sobrancelha, marca de nascença e tatuagem “aquele dia 13/09”, deu origem à principal base de comparação visual usada pelos investigadores online.
Um grupo de OSINT no Facebook passou a cruzar dados de tatuagens, ambientes, objetos domésticos e perfis de redes sociais, chegando ao norte do Vietnã, próximo à fronteira chinesa. Aos poucos, o nome de um certo Chung e depois o de Doan Van Sang, ex-vice-chefe de um departamento de fiscalização de mercado em Lang Son, surgiram como principais suspeitos.
Se você gosta de histórias reais e investigações impressionantes, este vídeo do canal Zonodark, com 85,4 mil inscritos, foi escolhido para você. Nele, você descobre como a internet ajudou a capturar um canibal e os detalhes dessa investigação surpreendente.
Quais foram as principais evidências contra o principal suspeito
As pistas reunidas pela comunidade digital e, mais tarde, pela polícia, conectaram Doan Van Sang ao crime por meio de sinais físicos, ambientes, rastros digitais e materiais apreendidos. Esses elementos formaram um mosaico consistente que apontava para o mesmo homem.
- Sinais físicos: cicatriz, marca de nascença e tatuagem idênticas às do homem nos vídeos.
- Ambientes: escritório, cozinha e banheiro combinando com prédios ligados ao departamento de fiscalização.
- Rastro digital: contas com nomes parecidos, e-mails conectados e telefone compatível.
- Perícia: laudo oficial descartando uso de IA e confirmando que os vídeos eram reais.
- Vestígios: ossos, dentes e equipamentos semelhantes aos vistos nas gravações, além do celular de Dat com familiares do suspeito.
- Confissão: relato de decapitação, esquartejamento, cozimento e descarte em lixo público.
O que este caso revela sobre investigações online e violência extrema
O “açougueiro vietnamita” ilustra como comunidades digitais conseguem reconstituir um crime complexo apenas com acesso aberto à internet. Garrafas de água, ventiladores de teto, padrões de chinelos, sons de rua e detalhes de tatuagens foram suficientes para orientar uma investigação paralela.
Ao mesmo tempo, o caso expõe o mercado clandestino de vídeos de violência extrema, vendidos em grupos fechados de Telegram, e o papel ambíguo das autoridades locais, que só reagiram de forma visível após grande pressão pública. Mesmo com a prisão do suspeito, permanecem dúvidas sobre cúmplices, lucros com as gravações e a real dimensão dessa rede de produção de terror real para consumo online.
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