BC diz que liquidação ligada ao Master não afetou sistema financeiro
Ata aponta ausência de impacto relevante, mas alerta para riscos no cenário global
O Banco Central divulgou nesta quinta-feira, 19, a ata da reunião de março do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef) e afirmou que a liquidação de instituições ligadas ao conglomerado Master não afetou o sistema financeiro, mas fez um alerta para a piora do cenário global. No documento, o BC diz que o episódio não teve impacto relevante sobre o sistema. “A liquidação extrajudicial de instituições integrantes do Conglomerado Master não gerou efeitos sistêmicos no âmbito do SFN [Sistema Financeiro Nacional]”, registrou.
A autoridade aponta que o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) funcionou como esperado e conseguiu conter os efeitos do caso, evitando que o problema se espalhasse. Na prática, o episódio acabou servindo como um teste da capacidade de resposta do sistema financeiro. A ata também mostra que o ambiente internacional ficou mais difícil desde a última reunião. Há mais pressão nos mercados, com juros altos por mais tempo nas grandes economias e aumento da instabilidade. “O cenário global prospectivo segue apresentando riscos que podem levar à materialização de cenários de reprecificação de ativos financeiros globais”, destacou o BC.
Leia mais: Banco Central confirma primeiro corte de juros na gestão Galípolo
Em outras palavras, o Banco Central vê risco de mudanças bruscas nos preços de ativos no mundo, o que pode respingar em países como o Brasil. Diante disso, o comitê afirma que está atento e pronto para agir caso esse cenário externo comece a afetar o mercado local.
No Brasil, a avaliação ainda é positiva, mas com alguns sinais de alerta. O sistema financeiro segue sólido, com dinheiro em caixa e capital suficiente para enfrentar momentos de estresse. Ainda assim, o BC destaca que os juros altos e o endividamento elevado de famílias e empresas continuam pressionando o crédito. “Esse cenário requer cautela e diligência adicionais no mercado de crédito”, afirma a ata.
O documento também chama atenção para uma mudança importante: o mercado de capitais está crescendo mais rápido que o crédito dos bancos. Isso amplia as opções de financiamento, mas também torna as operações mais complexas e difíceis de avaliar. Outro ponto de preocupação são falhas operacionais e riscos cibernéticos, após episódios recentes que expuseram fragilidades em instituições financeiras e empresas de tecnologia. Nos testes de estresse feitos pelo Banco Central, o cenário mais grave continua sendo o de perda de confiança no regime fiscal, considerado hoje o principal risco para a estabilidade financeira do país
Leia também: Crusoé: BC reduz Selic e indica ritmo mais lento
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)