Câncer colorretal: entenda o impacto do consumo de ultraprocessados na saúde intestinal
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Câncer colorretal: entenda o impacto do consumo de ultraprocessados na saúde intestinal
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EdiCase
6 minutos de leitura 17.03.2026 18:04 comentários
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Câncer colorretal: entenda o impacto do consumo de ultraprocessados na saúde intestinal

Especialista fala sobre prevenção, fatores de risco e esclarece mitos e verdades sobre a doença

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6 minutos de leitura 17.03.2026 18:04 comentários 0
Câncer colorretal: entenda o impacto do consumo de ultraprocessados na saúde intestinal
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Março é marcado pela campanha Março Azul-Marinho, período dedicado à conscientização e prevenção do câncer colorretal (CCR). A doença, que atinge o cólon e o reto, apresenta um dado alarmante para a saúde pública: a maioria dos casos está associada a hábitos modificáveis, como o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, o tabagismo e o sedentarismo.

Um estudo liderado por pesquisadores da Universidade de São Paulo e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), publicado no American Journal of Preventive Medicine, reforça esse alerta: a cada 10% de aumento na ingestão de ultraprocessados, o risco de morte prematura sobe 3%. Os autores recomendam que governos adotem medidas regulatórias e fiscais para facilitar escolhas mais saudáveis pela população.

“Os principais fatores de risco são o consumo elevado de carnes vermelhas processadas, a baixa ingestão de fibras, obesidade e alcoolismo, além do histórico familiar. É fundamental realizar campanhas intensas para alertar a população”, ressalta Ricardo Dib, gastroenterologista do Lavoisier e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (Sobed).

Ultraprocessados e impacto na saúde

Segundo Ricardo Dib, o cenário global enfrenta um desafio crescente devido à urbanização. A disseminação de alimentos industrializados de baixo custo nas grandes cidades criou uma “armadilha” nutricional que contribui diretamente para o aumento da obesidade e, consequentemente, dos tumores no aparelho digestivo.

“No mundo todo, as cidades absorveram hábitos alimentares nocivos. Hoje, produtos de alto teor calórico e ultraprocessados são acessíveis e sedutores pelo preço. Esse consumo desenfreado é o que causou o aumento absurdo da obesidade, um cenário que precisamos reverter para prevenir a doença”, afirma o gastroenterologista.

Câncer colorretal atinge cada vez mais jovens

Historicamente associado a idosos, o câncer colorretal tem avançado sobre adultos jovens. Um estudo de 2025 da revista The Lancet Oncology, chamado “Colorectal cancer incidence trends in younger versus older adults: an analysis of population-based cancer registry data“, confirmou essa tendência em 27 das 50 nações analisadas. “A adoção precoce de maus hábitos está antecipando o surgimento da doença”, pontua Ricardo Dib.

O especialista explica que a educação e a visibilidade são os melhores caminhos para a prevenção. Ele menciona que a exposição de casos de figuras públicas, como o da cantora Preta Gil, ajuda a ampliar o alcance da informação e o interesse da população pelo diagnóstico preventivo.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer colorretal é o segundo mais frequente entre homens e mulheres no Brasil. Para o triênio de 2026 a 2028, estimam-se 53.810 novos casos anuais, o que representa um risco de aproximadamente 25 casos por 100 mil habitantes.

Diagnóstico e prevenção da doença

A detecção precoce é possível por meio de exames como a colonoscopia, que permite identificar e remover pólipos antes que se tornem malignos. Além do rastreamento, a adoção de uma dieta rica em fibras e a prática regular de exercícios são as principais recomendações para a saúde intestinal.

Dados da Fundação Nacional do Câncer mostram que o rastreamento reduz a mortalidade pela doença em cerca de 30%. Ricardo Dib alerta que esperar pelos sintomas é perigoso: “Confiar apenas em sinais como sangramento ou dor abdominal é arriscado, pois geralmente indicam doença avançada. Nesses casos, a sobrevida em cinco anos é de apenas 15%, enquanto 90% dos diagnosticados precocemente atingem essa marca”.

A recomendação atual é que pessoas de ambos os sexos realizem exames preventivos a partir dos 45 ou 50 anos. Em pessoas com histórico familiar ou predisposição genética, o rastreamento deve ser antecipado e personalizado.

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Sinais como sangue nas fezes ou alterações no intestino exigem avaliação médica, pois podem indicar câncer colorretal ou outras condições (Imagem: 9dream studio | Shutterstock)

Mitos e verdades sobre câncer colorretal

A seguir, confira 10 mitos e verdades sobre o câncer colorretal, assim como os sintomas, os riscos e a prevenção da doença.

1. A doença é silenciosa em sua fase inicial

Verdade. O tumor pode se desenvolver sem alarde. Quando os sintomas aparecem — como sangue nas fezes, anemia e mudanças repentinas no hábito intestinal (diarreia ou prisão de ventre) —, a doença pode estar em estágio mais avançado. Vale o alerta: esses sinais também aparecem em condições benignas, por isso a investigação médica é indispensável.

2. Afeta apenas pessoas acima dos 50 anos

Mito. Embora a incidência seja maior após os 50, o diagnóstico em jovens tem crescido. Histórico familiar e exposição a fatores de risco podem antecipar o surgimento da doença.

3. A etnia influencia no risco

Verdade. Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) indicam que judeus de origem europeia oriental (asquenazes) possuem risco elevado. Estatísticas também apontam maior incidência e mortalidade entre a população negra, embora as causas exatas ainda sejam objeto de estudo.

4. Mudança de hábitos previne a doença

Verdade. Diferentemente da genética, o estilo de vida é um fator controlável. Estima-se que 50% a 75% dos casos seriam evitados com uma dieta rica em vegetais, redução de carnes vermelhas e processadas (embutidos), prática de exercícios e abandono do tabagismo.

5. Alimentação é o único fator de risco

Mito. Ela é crucial, mas não isolada. O consumo excessivo de álcool e o tabagismo são vilões conhecidos que potencializam as chances de mutações celulares no intestino.

6. A obesidade é um agravante

Verdade. O excesso de peso gera um estado inflamatório no organismo que favorece diversos tipos de câncer, incluindo o colorretal. O sedentarismo e a má alimentação formam o cenário ideal para o desenvolvimento de tumores.

7. A colonoscopia é o único diagnóstico

Verdade. Ela é o “padrão-ouro”. Diferentemente de outros exames, como a pesquisa de sangue oculto, a colonoscopia permite visualizar todo o cólon e remover pólipos antes que virem câncer. Exames como a sigmoidoscopia são auxiliares, mas não substituem a abrangência da colonoscopia.

8. O exame é doloroso ou constrangedor

Mito. Com o uso de sedação moderna, o paciente não sente dor e o procedimento é rápido (15 a 30 minutos).

9. Pólipo é sinônimo de câncer

Mito. O pólipo é uma lesão benigna ou pré-cancerígena. Encontrá-lo é, na verdade, uma boa notícia: ao retirá-lo durante a colonoscopia, o médico interrompe o caminho que levaria à formação de um tumor futuro.

10. Todo paciente precisa de bolsa de colostomia

Mito. Graças ao avanço das técnicas cirúrgicas e tratamentos oncológicos, a colostomia (saída externa para fezes) é cada vez menos comum. Quando necessária, na maioria dos casos, é apenas temporária para permitir a cicatrização do intestino.

Por Bárbara Cheffer

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