Centrais sindicais prometem marcha a Brasília no 1º de maio
Entidades trocam tradição de décadas por mobilização descentralizada em 1º de Maio e planejam evento em Brasília para 15 de abril
As principais centrais sindicais do Brasil desistiram de um ato unificado do Dia do Trabalhador em São Paulo, como tem acontecido historicamente. A deliberação, aprovada pelas entidades, orienta os sindicatos a organizarem manifestações locais e independentes, espalhadas pelo país, na data de 1º de maio.
A mudança representa uma ruptura com o modelo que reunia, em anos anteriores, multidões em pontos tradicionais da capital paulista — como a praça Charles Miller, o Vale do Anhangabaú e a praça Campo de Bagatelle — com a presença de ministros, parlamentares e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Descentralização como estratégia
A justificativa das lideranças sindicais é fortalecer as bases em um momento em que temas de amplo interesse dos trabalhadores estão em debate — entre eles, a redução da jornada de trabalho, a extinção da escala 6×1 e a regulamentação das relações de trabalho mediadas por aplicativos.
“Vamos inovar e voltar às raízes”, afirmou Sérgio Nobre, presidente da CUT. Para João Carlos Gonçalves, o Juruna, secretário-geral da Força Sindical, o objetivo é ampliar a capilaridade do movimento. “Queremos ver centenas, milhares de atos pelo Brasil. Cada sindicato deve chamar sua base e promover a data da maneira como achar mais conveniente”, disse.
A decisão não foi tomada sem resistências internas. Ricardo Patah, presidente da UGT, reconheceu o peso da mudança: “É uma decisão dolorosa, estamos acostumados a fazer o evento de Primeiro de Maio unificado, com uma grande mobilização. Mas é uma decisão amadurecida”.
Marcha em Brasília
No lugar do ato paulistano, as seis centrais — CUT, Força Sindical, UGT, CTB, CBS e Nova — concentrarão esforços em uma marcha nacional prevista para 15 de abril, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. A previsão é reunir 10 mil pessoas.
Após a mobilização, lideranças sindicais entregarão uma pauta de reivindicações ao presidente Lula e aos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Os temas incluem o fim da pejotização, o direito de negociação dos servidores públicos e o combate ao feminicídio, além das demandas já mencionadas sobre jornada e trabalho por plataformas digitais.
“Vamos investir na marcha. Iremos todos empenhados, levar a pauta de 6×1, e seremos recebidos pelo presidente”, declarou Patah.
Em ano eleitoral, a movimentação tem contornos políticos evidentes, embora as centrais evitem um posicionamento formal em relação às candidaturas. “No momento certo da campanha eleitoral, as centrais vão se manifestar”, concluiu Nobre, da CUT.
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