Por unanimidade, STF condena deputados do PL por desvio de emendas
Primeira Turma, contudo, rejeitou a acusação de organização criminosa envolvendo Maranhãozinho, Pastor Gil e Bosco Costa
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou por unanimidade nesta terça-feira, 17, três deputados do PL (Partido Liberal) por corrupção passiva pelos desvios de emendas parlamentares. São eles: Josimar Maranhãozinho (PL-MA) e Pastor Gil (PL-MA) e o suplente Bosco Costa (PL-SE).
Os ministros, contudo, absolveram os parlamentares da acusação de organização criminosa.
Votaram pela condenação os ministros Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia e Flávio Dino.
João Batista Magalhães, Antônio José Silva Rocha, Adones Nunes Martins e Abraão Nunes Martins Neto também foram condenados por corrupção passiva. Já Thalles Andrade Costa — que era acusado apenas de integrar organização criminosa, foi absolvido totalmente.
Voto de Zanin
Em seu voto, Zanin afirmou que existem provas robustas sobre a maneira com a qual o grupo teria solicitado propina de 25% sobre emendas parlamentares destinadas ao município de São José de Ribamar, no Maranhão.
A denúncia aponta que, em 2020, os parlamentares teriam solicitado o pagamento ao então prefeito do município, José Eudes, como condição para direcionar os recursos públicos. O prefeito confirmou ter sido vítima de cobranças e intimidações por parte dos parlamentares.
“Na verdade, aqui não se buscava provavelmente uma convergência política, mas, sim, como ficou demonstrado, o recebimento de vantagens indevidas como contrapartida à destinação de valores federais. E da mesma forma, o fato de um dos parlamentares ser de outro estado também não afasta aqui a alegação da PGR, porque na verdade ele não estava fazendo uma ação política, mas sim uma ação criminosa que buscava o recebimento de vantagens indevidas”, disse o ministro.
Zanin, contudo, disse que não há provas suficientes da prática de organização criminosa.
Penas
- Josimar Maranhãozinho (PL-MA), que está licenciado do mandato na Câmara. Pena: 6 anos e 5 meses de prisão em regime semiaberto e 300 dias-multa;
- Pastor Gil (PL-MA). Pena: 5 anos e 6 meses de prisão em regime semiaberto e 100 dias-multa;
- João Bosco (PL-SE), que atualmente é suplente. Pena: 5 anos de prisão em regime semiaberto e 100 dias-multa.
Como o regime de cumprimento da pena será o semiaberto, caberá à Câmara decidir sobre a compatibilidade entre a condenação e o exercício do mandato dos parlamentares Josimar e Pastor Gil.
A Câmara também analisará a situação de Costa, que é suplente.
Denúncia da PGR
Na denúncia, a PGR pediu a condenação dos três deputados.
Segundo o órgão, os parlamentares cobraram propina como contrapartida para viabilizar a liberação de R$ 6,67 milhões em emendas parlamentares destinadas ao município de São José de Ribamar (MA).
A Procuradoria sustenta ainda que a organização criminosa seria liderada por Josimar Maranhãozinho, apontado como responsável pelo controle e pela distribuição das emendas parlamentares.
Esse papel de liderança, de acordo com a denúncia, aparece em diálogos entre os investigados e em documentos apreendidos ao longo da investigação, que indicariam a existência de um esquema voltado à comercialização de emendas.
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Comentários (3)
Carlos Renato Cardoso da Costa
18.03.2026 07:09Quais as penas? Cabe recurso ao plenário?
Juarez Borges
17.03.2026 18:24A corrupção está no sangue dos politicos do nordeste. É desvio de verba... dinheiro na cueca... e por ai vai...
O PL teve mais políticos condenados no Petrolão q o PT! Puro suco de Brasil...