Leite, Ratinho Jr. e Caiado defendem reforma no Supremo
Trio de governadores também classifica proposta de mudança na escala de trabalho 6x1 como manobra eleitoral “demagógica”
Os governadores Eduardo Leite (RS), Ratinho Júnior (PR) e Ronaldo Caiado (GO), os três nomes do PSD na corrida presidencial de 2026, aproveitaram uma entrevista conjunta ao programa Canal Livre, da TV Bandeirantes, para defender mudanças na composição do Supremo Tribunal Federal, e atacar a proposta de emenda à Constituição que extinguiria a jornada de trabalho 6×1.
O trio articulou um posicionamento comum: o de que o próximo presidente da República precisará ter o que chamaram de “autoridade moral” para conduzir reformas institucionais e enfrentar escândalos financeiros — referência direta ao caso do Banco Master, que domina o noticiário político.
Reforma no STF: três visões, uma pauta
Cada governador apresentou uma proposta distinta para mudar o funcionamento da Corte.
Leite defende idade mínima de 60 anos para a nomeação de ministros, o que, combinado ao limite compulsório de aposentadoria aos 75, resultaria em um mandato de aproximadamente 15 anos. Ele também propõe restrições às decisões monocráticas — aquelas tomadas por um único ministro, sem a participação do colegiado.
Ratinho Júnior vai em direção diferente: propõe que os ministros sejam oriundos exclusivamente da magistratura e que seja vedada a atuação de familiares em escritórios de advocacia com causas no Supremo.
Caiado, por sua vez, vincula a reforma ao calendário legislativo e entende que o debate avançará naturalmente em 2027, junto com o fim dos chamados “penduricalhos” — benefícios financeiros extras no Judiciário.
O paranaense sintetizou a posição do grupo ao afirmar que o tema está sendo tratado de forma personalista, quando deveria ser discutido pelo ângulo institucional: “O assunto hoje está fulanizado entre gostar ou não de um ministro ou um presidente da Câmara. Tem que tratar de forma institucional e, acima de tudo, estamos num regime presidencialista: o presidente tem que ter autoridade moral para sentar à mesa e fazer avanços institucionais”, disse Ratinho Júnior.
6×1 e o ataque ao governo Lula
Caiado foi o mais direto na crítica à PEC que acabaria com a escala de seis dias trabalhados por um de descanso. Para o governador goiano, a proposta é uma armadilha política montada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para colocar parlamentares em posição de difícil recusa às vésperas das eleições.
“Se tivesse um presidente sério, honesto e responsável, essa matéria seria pautada? Algum deputado ou senador, a partir dessa tese vendida por eles, de que você vai trabalhar menos e ganhar o mesmo tanto, vai votar contra? Então, veja bem a pegadinha. Não tem responsabilidade para ser presidente da República”, afirmou Caiado, que completou: “Não se governa de joelhos, acovardado, maniatado ou encabrestado por outros poderes. Aquela cadeira precisa voltar a ter um estadista sentado nela”.
A entrevista do domingo marcou uma tentativa do PSD de se consolidar como terceira força no cenário presidencial de 2026, que se apresenta polarizado entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Leite também evocou os escândalos do mensalão e da Lava-Jato como precedentes históricos para justificar a necessidade de um candidato disposto a punir irregularidades.
“Tivemos uma eleição sobre mensalão, outra sobre Lava-Jato e estamos diante de uma eleição agora que tem o Banco Master como grande escândalo. Esses escândalos não podem ser admitidos, e temos que mostrar com clareza a nossa disposição de enfrentar esses assuntos. Punir quem quer que seja, altas autoridades que estiverem envolvidas, onde estiverem”, disse o gaúcho.
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Comentários (1)
Juarez Borges
16.03.2026 18:37Um Pais pobre como o Brasil acabar com a escala 6x1 não resolve nada...depois querem comparar Brasil com Países de primeiro mundo.