Vice-prefeito de SP acusa políticos de tentar abrir conta para “desmoralizá-lo”
Mello Araújo (PL) diz que esquema teria sido montado para associá-lo a dinheiro irregular e prejudicar sua imagem pública
O vice-prefeito de São Paulo, Mello Araújo (PL), registrou um boletim de ocorrência afirmando que uma pessoa tentou grampear seu telefone e de sua esposa, além de tentar abrir uma conta em seu nome no exterior.
Sem revelar quem seria essa “pessoa”, o político afirmou que ela teria sido contratada por “alguns políticos” que estariam tentando “desmoralizar sua imagem perante o público”.
Em 9 de março, Mello registrou um boletim de ocorrência após, segundo ele, ter sido furtado durante a manifestação bolsonarista na Avenida Paulista, realizada em 1º de março. Em outro boletim, afirmou ter sido informado de que “políticos contrataram pessoas” para grampear seu celular e abrir uma conta em seu nome no HSBC, no Uruguai.
Segundo o documento, o objetivo seria depositar na conta “valores relacionados a empresa de ônibus” para “desmoralizar” sua imagem devido ao seu trabalho na prefeitura.
Para Mello, a motivação estaria ligada a investigações e “exonerações” realizadas na administração municipal.
“A ideia seria divulgar para a imprensa, passando a imagem de corrupto”, disse.
“Eu sei quem são. Com provas consigo escancarar o nome dos dois políticos pilantra”, acrescentou.
Racha com Nunes
A relação de Mello Araújo com o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), vem se desgastando nos últimos meses.
Nunes afirmou que só tomou conhecimento do episódio quando o vice publicou o caso em suas redes sociais.
O distanciamento entre os dois aumentou no ano passado, quando Mello levantou suspeitas sobre supostas irregularidades na área de assistência social, colocando sob questionamento a própria gestão municipal da qual faz parte.
Em entrevista, o vice afirmou que haveria funcionários fantasmas nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) que estariam recebendo salários sem trabalhar.
As críticas feitas por Mello ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, também contribuíram para ampliar o desgaste político. Ele acusou o chefe do Palácio dos Bandeirantes de tomar para si todos os méritos pela desmobilização da Cracolândia.
Coronel da Polícia Militar de São Paulo e ex-presidente da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo, Mello Araújo entrou na chapa de Nunes como vice por indicação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nas eleições municipais de 2024.
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