Trump admite que Putin “pode estar ajudando” o Irã
Casa Branca suspende restrições ao petróleo russo; Ucrânia e UE criticam medida que, segundo Kiev, pode gerar até US$ 10 bi a Moscou
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta sexta-feira, 13, em entrevista à rede Fox News, acreditar que a Rússia esteja prestando algum tipo de apoio ao Irã durante o conflito que envolve Washington e Israel.
“Acho que ele [Putin] pode estar ajudando um pouco, sim. Ele provavelmente acha que estamos ajudando a Ucrânia. Eles fazem isso, e nós fazemos isso”, especulou Trump.
A declaração contraria a posição do enviado especial americano para o Oriente Médio, Steve Witkoff, que afirmou na quinta-feira que Moscou havia garantido não compartilhar dados de inteligência com Teerã.
Inteligência russa a serviço do Irã
Segundo o Wall Street Journal, Moscou teria repassado ao Irã coordenadas de navios e aeronaves militares dos EUA que poderiam ser usados como alvos em ataques com mísseis e drones na região. A publicação citou autoridades americanas e um ex-agente da inteligência russa.
A capacidade de vigilância independente do Irã é limitada. Sem uma rede própria de satélites, Teerã depende de fontes externas para obter imagens e dados de monitoramento — lacuna que informações russas poderiam preencher.
Trump, no entanto, evitou ampliar a gravidade do tema. Na sexta-feira anterior, a bordo do Air Force One, disse a repórteres: “Se estiverem, não estão fazendo um trabalho muito bom. O Irã não está indo muito bem”.
Sanções aliviadas, aliados contrariados
Na quinta-feira à noite, a Casa Branca emitiu uma segunda autorização permitindo que outros países adquiram petróleo russo transportado por navios já em alto-mar — prática que estava vetada. A medida integra um esforço de Washington para conter a alta nos preços do petróleo enquanto o conflito no Oriente Médio se aproxima da terceira semana.
O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, inicialmente descreveu a ação como “uma medida de curto prazo e estritamente limitada”, que não geraria “benefício financeiro significativo” para Moscou. Dias depois, recuou: disse à Sky News que era “uma inevitabilidade” e “lamentável”.
O Kremlin recebeu a notícia com satisfação. O enviado especial russo Kirill Dmitriev afirmou em comunicado que “os Estados Unidos estão efetivamente reconhecendo o óbvio: sem o petróleo russo, o mercado global de energia não pode permanecer estável”.
Aliados torcem o nariz
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, em visita a Paris para um encontro com o presidente francês, Emmanuel Macron, advertiu que a flexibilização pode injetar recursos adicionais nas operações militares russas: “Essa única flexibilização das relações com os EUA poderia fornecer à Rússia cerca de US$ 10 bilhões para a guerra. Certamente não ajuda a alcançar a paz”.
Macron reconheceu a contrariedade dos aliados europeus, mas procurou atenuar o impasse, classificando as isenções concedidas pelos EUA como “temporárias e limitadas”.
Em publicação na rede social X, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, afirmou que “a decisão unilateral dos EUA de suspender as sanções às exportações de petróleo russo é muito preocupante, pois afeta a segurança europeia. A crescente pressão econômica sobre a Rússia é decisiva para que o país aceite negociações sérias por uma paz justa e duradoura”.
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