Uma cidade que conquista novos moradores no litoral pela qualidade de vida e praias tranquilas
15 praias, um sambaqui de 4 mil anos e o maior festival de jazz da América Latina: Rio das Ostras surpreende a 170 km da capital
Os indígenas chamavam este trecho do litoral fluminense de Leripe, que em tupi-guarani significa “lugar de ostra”. Séculos depois, o nome se manteve na essência. Rio das Ostras, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, reúne 28 km de costa, vestígios arqueológicos de povos que habitaram a região há quatro milênios e um festival de jazz gratuito que já atraiu mais de 1,2 milhão de espectadores em 20 edições.
Curiosidades que revelam uma cidade muito além das praias
A história de Rio das Ostras começa antes dos mapas. O Sambaqui da Tarioba, registrado pelo Instituto de Arqueologia Brasileira (IAB) em 1967, preserva esqueletos, conchas e ferramentas de pedra de caçadores e coletores que viviam entre o rio e o mar. O museu, inaugurado em 1998, é um dos únicos do Brasil no formato “in situ”: o visitante caminha sobre o próprio sambaqui, com o material exposto no lugar exato onde foi encontrado.
No período colonial, a faixa litorânea pertencia a uma sesmaria doada aos jesuítas em 1630. Eles ergueram o Poço de Pedras do Largo de Nossa Senhora da Conceição, construído por mãos escravizadas no século XVIII. Registros históricos indicam que Dom Pedro II descansou à sombra de uma figueira à beira-mar em 1847, árvore que permanece de pé até hoje no calçadão da Praia do Centro. A emancipação de Casimiro de Abreu veio apenas em 1992, mas desde então a cidade registrou um dos maiores crescimentos populacionais do estado: passou de cerca de 36 mil habitantes para 156.491 no Censo 2022.

Uma baleia de bronze e um festival que mudou a identidade da cidade
Na Praça da Baleia, ao final da praia de Costazul, uma escultura de jubarte com 20 metros de comprimento, feita em estrutura metálica recoberta com chapas de bronze e latão pelo artista Roberto Sá, é descrita por fontes oficiais como a maior homenagem a um cetáceo no mundo. A obra nasceu da memória de 1995, quando uma jubarte e seu filhote encantaram moradores nas praias da cidade.
Em 2003, o produtor Stênio Mattos convenceu a Prefeitura de Rio das Ostras a trocar os shows de axé por música instrumental. Nascia o Rio das Ostras Jazz & Blues Festival, hoje considerado o maior do gênero na América Latina e um dos dez maiores do mundo. Em 20 edições, o evento somou mais de 600 shows gratuitos, com nomes como Stanley Jordan e Spyro Gyra, e injetou em média R$ 9 milhões por edição na economia local, segundo levantamento da FGV-RJ. O festival acontece entre maio e junho no feriado de Corpus Christi.
Vale a pena morar em Rio das Ostras?
Os números sustentam a fama de “Pérola da Costa do Sol”. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a cidade tem 156.491 habitantes (Censo 2022), IDHM de 0,773 e um PIB per capita de R$ 67.734 em 2023. O município figura entre as seis cidades mais seguras do estado e é apontado por rankings de desenvolvimento social e econômico como uma das melhores para viver entre os municípios fluminenses com mais de 100 mil habitantes.
A economia, que já dependeu dos royalties do petróleo por conta da proximidade com a Bacia de Campos, vem se diversificando com turismo, comércio e o setor imobiliário. A Universidade Federal Fluminense (UFF) mantém campus na cidade, e a infraestrutura inclui ciclovias, bairros planejados, academias ao ar livre na orla e cerca de 300 dias de sol por ano.
O que fazer nos 28 km de litoral e arredores?
Rio das Ostras oferece praias de perfis variados, unidades de conservação e sítios históricos a poucos minutos do centro. Estes são os pontos que merecem entrar no roteiro:
- Praia da Tartaruga: águas calmas e mornas, ideal para famílias. Tartarugas marinhas ainda são vistas próximas à orla.
- Praia de Costazul: palco principal do Festival de Jazz & Blues e ponto de surfe. Ao final, a Praça da Baleia com a escultura de jubarte.
- Monumento Natural dos Costões Rochosos: unidade de conservação entre a Praia da Joana e a Praça da Baleia, com trilhas leves, falésias e fauna marinha.
- Museu Sambaqui da Tarioba: museu arqueológico “in situ” com vestígios de 4 mil anos. Fica no bairro da Operária, próximo ao centro.
- Lagoa de Iriri: conhecida como “Lagoa Coca-Cola” pela cor escura da água, cercada por vegetação nativa. Palco de shows durante o festival.
- Reserva Biológica União: a cerca de 25 km do centro, abriga o mico-leão-dourado e é considerada a área de maior riqueza vegetal entre os remanescentes de Mata Atlântica do estado. Visitação guiada pelo ICMBio.
O site oficial da Prefeitura traz informações sobre história, dados municipais e programação cultural.
Quem busca sol e mar em Rio das Ostras, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal De fora em Juiz de Fora, que conta com mais de 297 mil visualizações, onde Tati Marm mostra as curiosidades da Região dos Lagos:
Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
Rio das Ostras tem clima tropical litorâneo com sol na maior parte do ano. O verão é quente e chuvoso; o inverno, seco e ameno. A tabela resume as condições por estação:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à Pérola da Costa do Sol?
Rio das Ostras fica a 170 km do Rio de Janeiro pela BR-101, cerca de 2h30 de carro. De Cabo Frio são apenas 61 km pela RJ-106. Ônibus partem da Rodoviária Novo Rio com frequência diária. O aeroporto mais próximo é o Santos Dumont, na capital fluminense.
Conheça a cidade que fez do jazz a sua identidade
Rio das Ostras combina algo raro: arqueologia milenar, praias de perfis variados e uma agenda cultural que poucos balneários brasileiros conseguem sustentar com a mesma regularidade. O festival transformou a identidade da cidade e criou uma tradição que já atravessa duas décadas.
Você precisa pisar na areia de Costazul em uma noite de jazz, ouvir o som do contrabaixo misturado ao barulho do mar e entender por que uma antiga vila de pescadores virou a capital do jazz da América Latina.
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