EUA e Brasil disputam controle dos minerais críticos
Seminário em São Paulo reúne autoridades americanas e setor privado para discutir cooperação para conter avanço chinês
O governo Trump organizará em São Paulo, no dia 18 de março, um seminário sobre minerais críticos e terras raras. O evento terá a presença de autoridades americanas de alto escalão e representantes do setor privado.
O encontro é mais um movimento dos Estados Unidos para mobilizar parceiros estratégicos na disputa global pelo controle de insumos essenciais à transição energética e à indústria de defesa — mercado dominado pela China.
Militares à mesa
O evento é coorganizado pelo Citi, pela Amcham Brasil, pelo Brazil-U.S. Business Council e pelo Ibram. Do lado americano, estão esperados representantes do Departamento de Estado, do Departamento de Energia, do EXIM Bank, da DFC e do Southcom, o Comando Sul das Forças Armadas dos EUA responsável pelas operações na América Latina e no Caribe.
Reservas de peso
O interesse americano tem razão de ser. O Brasil detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo, estimada em aproximadamente 21 milhões de toneladas — cerca de 23% do total global, segundo o Serviço Geológico do Brasil.
Além das reservas já mapeadas, fontes do governo americano ressaltam o potencial de grandes depósitos ainda inexplorados no território brasileiro, o que amplia ainda mais a relevância estratégica do país.
Governo Lula em segundo plano
Do lado brasileiro, o BNDES deve enviar um representante ao seminário, mas a presença de ministros do governo Lula não foi confirmada. O banco não respondeu à solicitação da Folha sobre quem participaria do evento.
Washington já apresentou ao Brasil uma proposta formal de acordo de cooperação no setor mineral, nos moldes dos entendimentos firmados recentemente com Austrália e Japão — prevendo colaboração desde o mapeamento e a exploração até o processamento e a agregação de valor na cadeia produtiva.
A sombra da China
A preocupação americana com Pequim perpassa toda a iniciativa. Em agosto do ano passado, o Instituto Americano de Ferro e Aço alertou o governo Trump de que a venda de plantas de níquel no Brasil para a MMG — braço da estatal chinesa China Minmetals Corporation — daria à China “influência direta” sobre parte expressiva das reservas internacionais do mineral, agravando vulnerabilidades nas cadeias de suprimento americanas.
Polêmica diplomática
O seminário não escapou de atrito. A possível participação de Darren Beattie, conselheiro do Departamento de Estado para relações com o Brasil, gerou tensão entre os dois governos. Além do evento em São Paulo, Beattie foi autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, a visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso em Brasília.
O chanceler Mauro Vieira reagiu em ofício ao STF, afirmando que a visita ao ex-mandatário não guarda relação com o objetivo oficial declarado pelo americano. A Amcham Brasil, por sua vez, afirma que a presença de Beattie no seminário não está prevista.
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