PT protocola quinta CPI do Master para blindar o STF
Senadores governistas temem que investigação mais ampla, como a proposta pelo senador Alessandro Vieira, acirre conflito com o Supremo
Senadores do PT concluíram a coleta de assinaturas para um novo pedido de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), destinada a apurar irregularidades no Banco Master. O requerimento, encabeçado pelo senador Rogério Carvalho (PT-SE), reuniu 29 apoios, dois acima do mínimo de 27 exigidos para abertura de uma CPI no Senado. É o quinto pedido do tipo protocolado no Congresso Nacional sobre o caso.
Apesar do número suficiente de assinaturas, o requerimento petista não é o único em tramitação. Há outros dois pedidos de CPI no Senado, um na Câmara e uma proposta de Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, liderada pelo deputado Carlos Jordy (PL-RJ), com 42 senadores e 230 deputados signatários.
“Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás”
O ponto de divergência entre as iniciativas está no foco das investigações. O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) apresentou requerimento voltado a apurar possíveis relações entre Vorcaro e decisões dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal — proposta que ficou conhecida como “CPI da Toga Master”. Nenhum senador da bancada governista aderiu a esse pedido.
Dentro da base do governo, avalia-se que ampliar o escopo da investigação para incluir o STF poderia acirrar tensões institucionais e prejudicar a relação com a cúpula do Judiciário. O senador Eduardo Girão (Novo-CE) e o deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) também apresentaram requerimentos independentes sobre o tema.
Alcolumbre resiste
O principal obstáculo ao avanço de qualquer uma das propostas é o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Ele tem sinalizado a aliados que não pretende autorizar a instalação de uma comissão de inquérito sobre o caso neste momento.
A sabatina do advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado para uma vaga no STF, depende diretamente do Senado — o que leva integrantes da base governista a evitar movimentos que possam gerar atrito com Alcolumbre ou com o tribunal.
Ainda assim, parlamentares governistas admitem que alguma forma de investigação legislativa sobre o Banco Master tornou-se inevitável. A discussão, agora, gira em torno do formato e do alcance que essa apuração deve ter.
Mesmo com assinaturas suficientes, os requerimentos de CPI precisam ser lidos em plenário pelo presidente da respectiva Casa para ter prosseguimento — etapa que, até o momento, não ocorreu em nenhum dos casos.
O senador Rogério Carvalho declarou que assinou também outros requerimentos em tramitação. “Não entro nesse jogo medíocre que politiza coisa séria. O importante é conduzir investigações com resultado real”, afirmou.
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