MPF investiga vídeos de apologia à violência contra mulheres
Trend “Quando ela diz não” viralizou no TikTok com simulações de agressões físicas em resposta a rejeições afetivas
O Ministério Público Federal anunciou nesta terça-feira, 10, que investigará a disseminação de vídeos em redes sociais nos quais homens simulam ataques físicos – socos, chutes e facadas – como resposta encenada à rejeição romântica. A iniciativa se soma a um inquérito já aberto pela Polícia Federal, que age desde o acionamento da Advocacia-Geral da União.
Os vídeos seguem um roteiro fixo: o autor simula uma abordagem afetiva, como um pedido de namoro ou casamento, e, após a legenda “treinando caso ela diga não” aparecer na tela, encena uma reação violenta. O conteúdo se espalhou principalmente pelo TikTok, embora também circule em outras plataformas.
Múltiplos órgãos acionados
O procurador federal dos Direitos Humanos, Nicolao Dino, encaminhou o caso ao Procurador Regional dos Direitos do Cidadão no Distrito Federal, que deverá instaurar procedimento formal e adotar as providências que julgar pertinentes. O despacho foi enviado também ao Grupo de Atuação no Combate aos Crimes Cibernéticos.
Dino afirmou que os conteúdos “contribuem para a naturalização simbólica da agressão de gênero e fortalecem discursos de ódio no ambiente digital, tornando urgente a avaliação do papel das empresas de tecnologia na moderação dessas veiculações”.
A AGU, por sua vez, identificou quatro perfis no TikTok como origem das publicações. Todos foram removidos da plataforma. O órgão sustenta que os responsáveis pelas contas devem responder por incitação a crimes de gênero e argumenta que “a circulação sistemática de conteúdo misógino em plataformas digitais representa ameaça concreta aos direitos fundamentais das mulheres”.
Papel das plataformas sob escrutínio
A investigação da Polícia Federal, conduzida pela Diretoria de Crimes Cibernéticos, mira os usuários que publicaram os vídeos. A apuração foi revelada pelo blog Julia Dualibi, do G1.
O MPF sinaliza que a análise não se limitará aos criadores do conteúdo. A menção direta ao TikTok como principal veículo de distribuição indica que a conduta das empresas de tecnologia na moderação de publicações com potencial de incitação à violência também deverá ser avaliada no âmbito das apurações.
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