Lula age para barrar classificação de PCC e CV como terroristas
Governo teme impacto econômico e político e mobiliza diplomacia para adiar decisão americana sobre as duas maiores facções criminosas do país
O governo Lula montou uma força-tarefa para impedir, ou ao menos protelar, a decisão dos EUA de classificar o Comando Vermelho e o PCC como “organizações terroristas”. A medida, preparada pela gestão Trump, preocupa o Planalto – tanto pelo potencial de interferência na economia brasileira, quanto pelos efeitos políticos internos.
Segundo a Folha, a documentação estava pronta para ser enviada ao Congresso americano. Diante disso, o governo brasileiro agiu no domingo, 8: o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, telefonou ao secretário de Estado, Marco Rubio, e pediu que Washington aguardasse um encontro presencial entre Lula e Donald Trump antes de tomar qualquer decisão.
Diplomacia em campo
Na segunda-feira, 9, Lula cancelou viagem ao Chile e passou o dia em reuniões para buscar alternativas à proposta americana. Auxiliares do presidente avaliaram que a ausência de um anúncio formal naquele dia significava apenas que o Brasil havia comprado tempo – não que o risco estava afastado.
Entre as opções apresentadas pelo lado brasileiro, está a criação de um mecanismo bilateral de cooperação no combate ao crime organizado. O governo Trump, porém, considerou a proposta insuficiente. Um conselheiro do presidente americano disse à Folha que integrantes da gestão avaliam que Lula age para proteger as facções.
O debate nos EUA sobre a reclassificação das organizações vem desde o ano passado, impulsionado pela atuação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) em Washington. Uma ala do Departamento de Estado defende enquadrar CV e PCC nos mesmos moldes de outros grupos latino-americanos já designados, como o Cartel de Jalisco Nova Geração, do México.
Riscos econômicos e soberania
As preocupações do Planalto não se restringem à diplomacia. Integrantes do governo identificam risco de que a designação afete a competitividade do Brasil no mercado financeiro internacional. Há ainda receio de que os EUA tentem exercer controle sobre transações feitas pelo Pix, sistema de pagamentos instantâneos, sob o argumento de que a ferramenta é utilizada por organizações criminosas.
O presidente do PT, Edinho Silva, publicou um vídeo na noite de segunda-feira, alertando para os efeitos da medida. “O Brasil não é um puxadinho de Trump”, afirmou. Silva disse ainda que a designação abriria caminho para sanções econômicas e para intervenções em solo brasileiro, o que caracterizaria, segundo ele, “uma agressão à soberania brasileira”.
O governo também calcula o custo político interno. A oposição bolsonarista, incluindo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), potencial adversário de Lula nas eleições, pode explorar o episódio para questionar a postura do governo diante do crime organizado. O Planalto trabalha em uma estratégia de comunicação para explicar sua resistência à classificação americana.
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Comentários (3)
Marian
10.03.2026 18:24Acho ótimo que os Americanos combatam os narcoterroristas no hemisfério sul. Alguém tem que fazer não é mesmo?
Andre Luis dos Santos
10.03.2026 16:04Será que, ao sufocar financeiramente essas organizações, vai faltar $ de caixa 2 pra um certo partido? Pra mim já passou da hora desses grupos serem classificados como terroristas.
Maglu Oliveira
10.03.2026 15:42Seria bom se Lula explicasse qual seu interesse em evitar isso. Será que tb tem rabo preso com as ORCRIMs?