Ex-agente sírio é processado no Reino Unido por crimes contra a humanidade
Em caso inédito no país, homem de 58 anos responde por homicídios e tortura ligados à repressão de protestos em Damasco
Um homem de 58 anos, que vive no Reino Unido, foi acusado de crimes contra a humanidade por participar da repressão das manifestações populares na Síria, em abril de 2011. O anúncio foi feito pela polícia britânica nesta segunda-feira, 9, e representa o primeiro processo do gênero conduzido no país.
A investigação ficou a cargo da unidade especializada em crimes de guerra da polícia antiterrorista britânica. Segundo as autoridades, o acusado – cuja identidade não foi tornada pública – deve comparecer a um tribunal de Londres nesta terça-feira, 10.
Da Síria ao Reino Unido
O suspeito teria atuado nos serviços de inteligência da Força Aérea síria em Damasco durante o período em questão. De acordo com a polícia, ele liderou um grupo encarregado de conter as manifestações no bairro de Jobar, zona leste da capital síria, região associada a episódios de repressão governamental documentados durante o conflito.
As acusações incluem três casos de homicídio e três de tortura, além de outras imputações relacionadas ao mesmo período. O homem, atualmente residente em território britânico, passou a ser investigado com base na legislação que permite ao Reino Unido processar crimes internacionais graves, independentemente de onde foram praticados.
O contexto do conflito sírio
A guerra civil na Síria teve início em 2011, depois que o governo do então ditador Bashar al-Assad ordenou a repressão violenta a protestos que se espalharam pelo país na esteira da Primavera Árabe. O conflito se prolongou por mais de uma década e resultou em centenas de milhares de mortos.
Assad foi deposto no final de 2024, fato que abriu caminho para novas investigações sobre crimes cometidos durante seu governo.
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