O processo industrial que transforma sal em soda cáustica
Aprenda o processo industrial da soda cáustica, sua ação sobre gordura e presença surpreendente em itens do dia a dia
Soda cáustica é aquele pozinho branco que muita gente joga na pia quando o cano entope, mas por trás desse gesto cotidiano existe um grande processo industrial, que começa no sal de cozinha e envolve eletrólise, membranas altamente seletivas e tecnologias ligadas à nanotecnologia.
O que é soda cáustica e como ela desentope a pia
A soda cáustica é uma base muito forte, chamada quimicamente de hidróxido de sódio (NaOH). No encanamento, o principal problema costuma ser a gordura que se acumula, endurece e impede a passagem da água.
Ao entrar em contato com essa gordura, a soda reage por meio da saponificação: a hidroxila (OH⁻) “quebra” a gordura, formando sabão e glicerina. Como esses produtos são solúveis em água, a mistura se desprende do cano e o fluxo volta ao normal em poucos minutos.

Por que o sal de cozinha não funciona como a soda cáustica
O sal de cozinha (NaCl) e a soda cáustica (NaOH) contêm sódio, mas se comportam de forma muito diferente. Em testes simples com gordura, a solução com soda desentope rapidamente, enquanto a com sal praticamente não altera o entupimento.
Isso acontece porque o sal não possui a hidroxila (OH⁻), que é a parte da molécula capaz de reagir com a gordura e formar sabão. Sem esse grupo, não ocorre saponificação e o sal não consegue “limpar” o bloqueio do encanamento.
Se você tem curiosidade sobre processos químicos e fabricação industrial, este vídeo do canal Manual do Mundo, com 20,1 milhões de subscritores, foi escolhido especialmente para você. Ele mostra como a soda cáustica é produzida de forma segura e detalhada.
Como a soda cáustica é produzida industrialmente a partir do sal
Na indústria, o ponto de partida é a salmoura purificada, uma solução de água e cloreto de sódio (NaCl) tratada para remover impurezas. A partir dela, produzem-se cloro, hidrogênio, soda cáustica e matérias-primas para PVC por meio de um processo chamado eletrólise.
Na célula eletrolítica, o ânodo (polo positivo) e o cátodo (polo negativo) são separados por uma membrana especial. A corrente elétrica decompõe a salmoura: forma-se gás cloro no lado positivo, enquanto o sódio atravessa a membrana e, no lado negativo, reage com a hidroxila (OH⁻) obtida da água, originando o NaOH.
Como funcionam as membranas na produção de soda cáustica
Dentro da célula eletrolítica, a membrana atua como um filtro superseletivo, permitindo a passagem de íons de sódio, mas bloqueando a salmoura e os gases gerados, como cloro e hidrogênio. Assim, evita misturas indesejadas e garante uma soda cáustica mais concentrada e pura.
Comparadas a tecnologias mais antigas, como células de mercúrio e de diafragma, as membranas atuais são mais eficientes e sustentáveis, trazendo benefícios importantes para o processo industrial, como os listados a seguir.
Onde as membranas e a soda cáustica aparecem no dia a dia
As membranas usadas nessas células fazem parte do universo da nanotecnologia, sendo produzidas com plásticos especiais ou cerâmicas para separar partículas minúsculas. Princípios semelhantes aparecem em dessalinização de água, tratamento de esgoto, hemodiálise e baterias.
A soda cáustica também está presente em muitos produtos do cotidiano, ajudando a fabricar sabões e detergentes, branquear e uniformizar papel, ajustar pH em processos industriais e tratar água potável, além de ser usada em alimentos específicos, como azeitonas em conserva, para reduzir o amargor.
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