“Não é nossa guerra”, diz porta-voz do Kremlin sobre Irã
Dmitri Peskov sinaliza postura pragmática diante da escalada do conflito, e indica que pode priorizar economia à custa da aliança com Teerã
O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, declarou à imprensa que Moscou conduzirá sua política externa com base em interesses econômicos próprios, no que seria um possível distanciamento do Irã após o fechamento do estreito de Ormuz e os ataques contra Teerã. “Não é nossa guerra”, afirmou Peskov.
Peskov reconheceu que a posição pode soar controversa para a opinião pública internacional, mas defendeu que o objetivo é proteger a economia russa dos efeitos das convulsões globais. Segundo ele, Moscou não tem condições de interromper a guerra – e apenas os países que a iniciaram seriam capazes de encerrá-la.
Na quarta-feira, 4, o ditador Vladimir Putin afirmou que seu país poderia interromper o fornecimento de gás natural para a Europa, em meio ao aumento do preço da energia desencadeado, segundo ele, “em razão da agressão contra o Irã”, e das restrições ocidentais ao petróleo russo.
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Distantes, mas nem tanto
A parceria econômica entre os dois países não foi suspensa. O ministro de Energia russo, Serguei Tsivilev, visitou a residência do embaixador iraniano em Moscou e confirmou a assinatura de um novo acordo intergovernamental. Ele informou que o cronograma de trabalho conjunto seguirá o planejado, independentemente do contexto de guerra.
A cooperação entre Rússia e Irã tem raízes em áreas como tecnologia de drones – especificamente os modelos Shahed, utilizados em conflitos armados. Ainda assim, o tratado estratégico bilateral entre os dois países não prevê defesa mútua em caso de agressão militar, o que limitou as opções de Moscou diante dos ataques.
Morte de Khamenei expõe limites da influência russa
O assassinato do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, trouxe à tona a redução da capacidade russa de interferir nos rumos do Oriente Médio. Segundo análise do jornal The Washington Post, a morte de Khamenei representa um revés para a rede de parceiros antiocidentais do presidente Vladimir Putin, e evidencia a dificuldade crescente de Moscou em contrabalançar a estratégia global dos Estados Unidos.
Pessoas familiarizadas com as negociações entre Moscou e Washington relataram ao jornal que o Kremlin teria sinalizado aos americanos que não interviria em um eventual esforço de Washington para derrubar o regime iraniano.
A imprevisibilidade de Putin
O Kremlin avalia que a crise regional pode trabalhar a seu favor no conflito ucraniano. Com Washington concentrado no Oriente Médio, a atenção dos aliados europeus também pode se dispersar, reduzindo o fluxo de armamentos para Kiev. Um eventual redirecionamento de sistemas de armas para a região deixaria a Ucrânia com menos cobertura militar.
Ainda assim, Putin classificou como “um assassinato cínico” a morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, e disse que o episódio viola “todos os padrões da moralidade humana e da legislação internacional”.
Em mensagem enviada ao presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, Putin pediu que “aceitem minhas condolências pelo assassinato do líder supremo da República Islâmica do Irã, Seyed Ali Khamenei, e membros de sua família”.
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Comentários (2)
Luís Silviano Marka
06.03.2026 12:17Quando seus únicos aliados são Irã e Coreia do Norte, é sinal que algo está muito, muito, muito errado.
Marian
05.03.2026 22:17O custo da guerra contra a Ucrânia dá sinais de que é bem alto. A pior batalha será a econômica. Que desastre