Humor virou risco que a TV não quer correr, diz Carlos Alberto de Nóbrega
Apresentador de ‘A Praça É Nossa’ completa nove décadas na TV, e quer “morrer trabalhando”; programa muda de horário a partir desta quinta, 5
Carlos Alberto de Nóbrega, um dos nomes mais longevos da televisão brasileira, completará 90 anos na próxima quinta-feira, 12 de março. Às vésperas do aniversário, o apresentador de A Praça É Nossa – atração de humor mais antiga ainda em exibição na TV aberta – afirmou que o gênero perdeu espaço nas grades por conta do custo elevado de produção e da postura conservadora das emissoras diante do risco financeiro.
“É mais fácil você comprar um filme ou investir num programa de entrevista, que você só paga o apresentador”, disse ele a jornalistas, horas antes de gravar uma edição especial em comemoração ao aniversário, com convidados, nos estúdios do SBT, em Osasco, na Grande São Paulo.
O custo como obstáculo
Para Carlos Alberto, o enfraquecimento do humor televisivo tem raiz econômica. Segundo ele, a pandemia aprofundou uma tendência que já vinha se consolidando: a migração de investimentos publicitários para o ambiente digital, em detrimento de produções de maior porte para a TV aberta.
“Você botar um programa no ar é muito dinheiro. E com a situação que está, desde a pandemia, é muito mais barato as pessoas investirem num comercialzinho que só vai sair na internet”, afirmou. “É uma guerra desleal até”.
O apresentador também separou com clareza os dois universos. Para ele, TV e internet operam em lógicas distintas e raramente se sobrepõem.
“Não conheço ninguém que fez sucesso na internet e fez sucesso na televisão”, declarou, ainda que nomes formados em A Praça É Nossa, como Matheus Ceará e Maurício Manfrini, o Paulinho Gogó, tenham construído presença tanto nos palcos quanto nas plataformas digitais.
Mudança de horário e legado familiar
A partir desta quinta-feira, 5, A Praça É Nossa passa a ser exibida às 22h30, logo após o Programa do Ratinho. Carlos Alberto comemora: “Essa mudança foi um presente”. Para ele, o horário anterior prejudicava o público que acorda cedo e não acompanhava o programa até o fim.
A atração carrega um histórico familiar. Manuel de Nóbrega, pai de Carlos Alberto, criou e comandou a Praça da Alegria entre as décadas de 1950 e 1970, da TV Paulista até sua extinção já sob o nome de TV Globo. Carlos Alberto deu continuidade à tradição no SBT, emissora onde está há quase quatro décadas.
Hoje, ele escreve os quadros à mão, acompanha as gravações com cerca de dez comediantes e edita pessoalmente todas as edições. Sobre o futuro do programa, indicou o filho Marcelo, diretor da atração há mais de 20 anos, como o único nome capaz de dar sequência ao trabalho.
Ao falar do período em que chegou ao SBT, o apresentador se emocionou ao mencionar Silvio Santos, morto em agosto de 2024: “Hoje amanheci pensando muito nele”.
Sobre seus planos, foi direto. “Eu não quero morrer na cama. Quero morrer trabalhando. Se Deus me desse a graça, ele que vai resolver, se a ‘Praça’ vai existir… A gente não sabe o dia de amanhã, tudo muda”.
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