Cillian Murphy defende cinema que questiona sem impor respostas
Ator irlandês fala sobre novo filme do universo ‘Peaky Blinders’, que estreia na Netflix em 20 de março
Em entrevista ao jornal britânico The Times, o ator Cillian Murphy defendeu uma concepção de cinema que prefere provocar o espectador a guiá-lo. Para Murphy, filmes não devem funcionar como instrumentos de persuasão moral.
A declaração foi dada durante a divulgação de Peaky Blinders: O Homem Imortal, longa-metragem derivado da série de sucesso da BBC e Netflix, com estreia prevista para o próximo dia 20.
O filme marca o retorno de Murphy ao papel de Thomas Shelby, personagem que o projetou ao estrelato internacional. A trama se passa durante a Segunda Guerra Mundial e apresenta nazistas como antagonistas, tanto os históricos quanto os do universo fictício da franquia.
Entre o entretenimento e a provocação
Perguntado sobre o crescimento de figuras políticas de extrema-direita nas redes sociais, Murphy disse considerar o fenômeno “profundamente perturbador”. Ainda assim, deixou claro que o novo filme não tem pretensão de ser uma análise histórica densa sobre o nazismo. “Este filme aborda isso de forma leve – não é Zona de Interesse, digamos assim”, afirmou o ator.
Murphy foi direto ao expor sua visão sobre o papel do cinema: “A última coisa em que quero me envolver é um trabalho moralista ou dogmático, porque os filmes nunca devem dizer como você deve se sentir”.
Para ele, o melhor entretenimento opera em duas camadas ao mesmo tempo. “Eles deveriam simplesmente fazer perguntas. Este deveria ser um filme de ação divertido e com grande coração, mas, se você olhar mais de perto, também pode ser provocativo. O melhor entretenimento comercial opera simultaneamente nesses dois níveis”, disse.
Oppenheimer como referência
Murphy usou Oppenheimer (2023), de Christopher Nolan, como exemplo desse modelo. O filme, que lhe rendeu o Oscar de Melhor Ator na cerimônia de março de 2024, pode ser lido tanto como reflexão sobre os riscos da corrida nuclear quanto como produção de grande escala para o público convencional.
“Se você quiser discutir onde estamos no mundo e ver o quão perto estamos de um apocalipse nuclear, pode pensar em Oppenheimer dessa forma, mas se você só quiser assistir a um ótimo filme com grandes explosões, isso também é ótimo”, declarou o ator.
Peaky Blinders: O Homem Imortal foi escrito por Steven Knight, criador da série original, e dirigido por Tom Harper, que também assinou episódios do programa. O elenco inclui Barry Keoghan, Rebecca Ferguson, Tim Roth e Stephen Graham.
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Comentários (1)
Rosa
05.03.2026 10:42Nada como um ser pensante: muito bem Cilian!