PF: Vorcaro tinha milícia própria para intimidar jornalistas e empregados

19.04.2026

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PF: Vorcaro tinha milícia própria para intimidar jornalistas e empregados

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Redação O Antagonista
4 minutos de leitura 04.03.2026 09:14 comentários
Economia

PF: Vorcaro tinha milícia própria para intimidar jornalistas e empregados

Dono do Banco Master voltou a ser preso nesta quarta-feira, 4

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Redação O Antagonista
4 minutos de leitura 04.03.2026 09:14 comentários 1
PF: Vorcaro tinha milícia própria para intimidar jornalistas e empregados
Foto: Reprodução de vídeo

Ao solicitar a prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro, a Polícia Federal revelou a existência de um “núcleo de intimidação e obstrução de justiça”, responsável pelo monitoramento ilegal de adversários, jornalistas e autoridades, ligado ao Banco Master.

As investigações apontam que o grupo criminoso mantinha uma estrutura de vigilância e coerção privada, chamada de “A Turma” para obtenção ilegal de informações sigilosas e intimidação de críticos do conglomerado financeiro.

“Ainda em relação a esse núcleo específico, identificou-se a emissão de ordens diretas de DANIEL VORCARO para que fossem praticados atos de intimidação de pessoas (dentre as quais, concorrentes empresariais, ex-empregados e jornalistas) que seriam vistas como prejudiciais aos interesses da organização, e com vistas à obstrução da justiça. Quanto a esse último aspecto, foram identificados registros indicando que DANIEL BUENO VORCARO teve acesso prévio a informações relacionadas à realização de diligências investigativas, tendo realizado anotações e comunicações relativas a autoridades e procedimentos associados às investigações em andamento.”

A PF identificou Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, que também atende pelo apelido de “Sicário”, como “responsável pela execução de atividades voltadas à obtenção de informações sigilosas, monitoramento de pessoas e neutralização de situações consideradas sensíveis aos interesses do grupo investigado”.

“Os elementos reunidos indicam que LUIZ PHILLIPI exercia papel central na coordenação operacional de um grupo informal denominado ‘A Turma’, estrutura utilizada para realizar atividades de vigilância, coleta de informações e monitoramento de indivíduos considerados adversários do grupo. Nesse contexto, o investigado organizava e executava diligências destinadas à identificação, localização e acompanhamento de pessoas que mantinham relação com investigações ou com críticas às atividades do grupo econômico ligado ao Banco Master”, afirmou o documento.

“Dar um pau nele”

A PF expôs a “dinâmica violenta” das conversas entre Vorcaro e Mourão, com uma troca de mensagens sobre um jornalista que havia publicado notícias contrárias aos interesses do dono do Master.

“MOURÃO: Esse [nome do jornalista] bate cartão todo domingo? hrs hein Lanço uma nova sua? Positiva.

DV: Sim.

MOURÃO: Cara escroto.

DV: Tinha que colocar gente seguindo esse cara. Pra pegar tudo dele.

MOURÃO: Vou fazer isto.”

Em outra mensagem, Vorcaro teria manifestado a vontade de mandar “dar um pau” no profissional.

“DANIEL VORCARO (DV): “Esse [nome do jornalista] quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”.

“MOURÃO pergunta: ‘Pode? Vou olhar isso…’. E, confirmando o animus de agressão, VORCARO responde: ‘Sim’.”

A PF preservou o nome do jornalista citado com uma tarja preta.

Segue o relatório:

“A partir de todos esses diálogos, verifica-se a presença de fortes indícios de que VORCARO determinou a MOURÃO que forjasse um assalto, ou simulasse cenário semelhante, para prejudicar violentamente o jornalista em questão e, a partir do episódio, calar a voz da imprensa que ousasse emitir opinião contrária aos seus interesses privados.

“Ao longo de toda a representação policial há inúmeros episódios no mesmo sentido: VORCARO utilizando MOURÃO, a ‘Turma’ e os ‘Meninos’ dele, para a prática dos mais variados ilícitos, muitos deles de caráter violento.”

Milícia

Para a PF, Vorcaro tinha sua própria “milícia”.

“Verifica-se, portanto, que a atuação da organização criminosa não é pueril. Pelo contrário, são profissionais do crime, que atuam de forma coordenada, com a captação ilícita de servidores públicos dos mais altos escalões da república, ao mesmo tempo que buscam influenciar a opinião pública contra os agentes do Estado envolvidos na investigação e desmantelamento do esquema criminoso multibilionário, buscando assim construir um cenário favorável de enfraquecimento do Estado e permanência da delinquência alcançada, mesmo que para isso tenham que se utilizar de atos de violência física e coação por meio de sua milícia (leia-se a ‘Turma’), como comprovado nesta representação policial.”

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Comentários (1)

Rosa

04.03.2026 10:24

Se isso não é prova de que o crime organizado se infiltrou em todas as esferas, nada maus é....


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