Mergulhador corta rede e salva arraia-manta gigante em cena que parece de filme
O salvamento da arraia-manta expõe o lado pouco visto da pesca intensa e reforça a urgência da conservação
O registro de uma arraia-manta gigante sendo libertada de redes de pesca por um mergulhador chama atenção para um problema que vai além de um episódio isolado: a captura acidental de grandes animais marinhos em áreas de pesca intensa, com impactos diretos na sobrevivência e na conservação dessas populações vulneráveis.
Por que a conservação da arraia-manta é urgente?
Esses grandes elasmobrânquios filtradores apresentam crescimento lento, maturação sexual tardia e baixa taxa de natalidade, geralmente com apenas um filhote por gestação.
A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) classifica as arraias-manta como vulneráveis, com estudos até 2025 indicando declínios populacionais ligados principalmente à pesca industrial e à captura acidental. Assim, a perda de cada indivíduo adulto tem efeito significativo na dinâmica populacional.
Quais são as principais ameaças à arraia-manta?
No contexto da conservação da arraia-manta, a captura incidental em redes de deriva, espinhéis e outras artes de pesca é uma das pressões mais preocupantes, agravada pelas “redes fantasmas” abandonadas no mar. A mortalidade silenciosa em alto-mar reforça a urgência de ações preventivas.
Além da captura acidental, diferentes fatores combinados aumentam o risco de declínio das populações de arraias-manta em escala global, como mostram pesquisadores e organizações ambientais:
Emalhe acidental
Enroscamento em redes industriais e artesanais pode causar ferimentos graves, amputações de nadadeiras e até afogamento.
Captura intencional
Em algumas regiões, há pesca direcionada com uso de partes do corpo do animal em diferentes mercados.
Degradação ambiental
Poluição e redução de áreas de alimentação afetam diretamente a sobrevivência e o equilíbrio ecológico da espécie.
Ingestão e enroscamento
Plásticos e linhas descartadas podem ser ingeridos ou causar aprisionamento, comprometendo mobilidade e saúde.
Alteração de rotas e alimento
Mudanças climáticas afetam a disponibilidade de plâncton e interferem nas rotas migratórias.
Como proteger arraias-manta em áreas de pesca intensa?
Medidas de proteção das arraias-manta em zonas de pesca vêm sendo discutidas em fóruns internacionais e legislações nacionais, buscando conciliar conservação marinha e sustentabilidade produtiva. Países costeiros que abrigam agregações importantes adotam estratégias combinadas para reduzir o risco de emalhe.
Entre as abordagens recomendadas estão a regulamentação de artes de pesca, criação de áreas marinhas protegidas, monitoramento e fiscalização, programas de soltura e resgate com treinamento de pescadores, além do incentivo à pesquisa científica sobre rotas migratórias, tamanhos populacionais e taxas de mortalidade.
Qual é o papel das comunidades costeiras e do turismo de mergulho?
A presença de arraias-manta em destinos turísticos gera renda com o turismo de observação e mergulho, criando incentivo econômico à preservação das populações. Para isso, é essencial que a atividade siga normas claras e limites de visitação, evitando estresse e perseguição aos animais.
Comunidades costeiras, pescadores e operadores de turismo podem apoiar a conservação por meio de ciência cidadã, protocolos de aproximação responsável, notificação rápida de animais presos em redes e colaboração em projetos de redução de bycatch, tornando visíveis impactos que, na maior parte do tempo, permanecem submersos.
Assista ao vídeo:
Humanity at its best: a diver comes to the rescue, helping a majestic manta ray escape from the heavy fishing nets tangled around its cephalic lobes. pic.twitter.com/EPqjZCivDS
— Oceaiii🐋🐬 (@oceaiii) March 3, 2026
Por que políticas públicas e pesquisa contínua são essenciais?
Episódios de salvamento, como o do mergulhador cortando redes presas nos lóbulos cefálicos de uma arraia-manta, ilustram casos em que a intervenção humana evita a morte do animal. Contudo, a maioria das interações não é registrada, o que exige respostas estruturais e de longo prazo.
Políticas públicas eficazes, aliadas à pesquisa científica e ao envolvimento local, são fundamentais para reduzir a mortalidade acidental, orientar o manejo pesqueiro e garantir que as arraias-manta continuem circulando nos oceanos nas próximas décadas.
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