Roberto Ellery na Crusoé: A mãe de todas as reformas
Liberalizar o comércio externo atua como catalisador para mudanças estruturais profundas
Admar Bacha é um dos economistas mais influentes do Brasil contemporâneo.
Suas contribuições vão além da academia. Bacha liderou a formulação do Plano Real, o mais bem-sucedido programa de estabilização da história brasileira, presidiu o BNDES e o IBGE, fundou alguns dos principais centros de pesquisa e departamentos de economia do país.
Raro entre economistas, Bacha domina a escrita com precisão e ironia, qualidades que transformam análises técnicas em textos memoráveis. Não por acaso, ele ocupa a cadeira nº 40 da Academia Brasileira de Letras.
Entre livros, artigos e contos econômicos, ele cunhou frases que entraram para o folclore da profissão.
Uma das mais famosas: “A abertura comercial é a mãe de todas as reformas”.
A metáfora captura a ideia de que liberalizar o comércio externo atua como catalisador para mudanças estruturais profundas.
Segundo Bacha, as importações permitem que produtores nacionais acessem tecnologias de ponta desenvolvidas no exterior e já incorporadas em máquinas, equipamentos e insumos.
A concorrência de empresas estrangeiras força os empresários locais a se organizarem e pressionarem governo e Congresso para aprovação de medidas que reduzam o infame Custo Brasil, conjunto de entraves logísticos, tributários e burocráticos que encarecem a produção.
Por fim, os consumidores, especialmente as famílias de renda média e baixa, ganham acesso a bens de qualidade superior a preços mais razoáveis.
Pesquisas científicas
Esses argumentos não são exóticos nem minoritários. Eles compõem o consenso da literatura econômica mainstream, no Brasil e no mundo.
Pesquisas empíricas sobre os efeitos da abertura comercial proliferam.
A mais recente, publicada em janeiro de 2026 na prestigiada Econometrica (da Econometric Society), é assinada por Rafael Dix-Carneiro (Duke), Pinelopi Goldberg e Costas Meghir (Yale) e Gabriel Ulyssea (University College London).
O estudo conclui que os ganhos de bem-estar e produtividade da abertura são significativamente maiores em economias com setor informal elevado, exatamente o caso brasileiro, onde a informalidade responde por cerca de 40% da força de trabalho.
Retrocedendo…
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