O labirinto de 400 ilhas que desaparece e ressurge conforme a estação: o segundo maior arquipélago fluvial do mundo fica no Brasil
Mais de 400 ilhas no Rio Negro: Anavilhanas é o segundo maior arquipélago fluvial do mundo
O barco avança pelas águas escuras do Rio Negro e, aos poucos, um labirinto de ilhas cobertas de floresta se abre no horizonte. O Parque Nacional de Anavilhanas, no Amazonas, protege o segundo maior arquipélago fluvial do planeta, com mais de 400 ilhas, 60 lagos e cerca de 130 km de extensão. O cenário muda radicalmente conforme o nível da água sobe ou desce até 12 metros entre a cheia e a seca.
De estação científica a Patrimônio da Humanidade
Anavilhanas nasceu como Estação Ecológica em 1981, uma categoria voltada exclusivamente à pesquisa. A restrição à visitação durou até 2008, quando a unidade foi recategorizada para Parque Nacional. Em 2003, a UNESCO integrou Anavilhanas ao Complexo de Conservação da Amazônia Central, Patrimônio Natural da Humanidade com mais de 6 milhões de hectares.

O complexo reúne ainda o Parque Nacional do Jaú e as reservas Mamirauá e Amanã. Juntas, essas áreas formam a maior zona protegida da bacia amazônica e abrigam a maior variedade de peixes elétricos do mundo.

O que fazer no Parque Nacional de Anavilhanas?
A experiência muda conforme a estação. Na cheia (março a agosto), as ilhas desaparecem parcialmente sob a água e o passeio acontece dentro da floresta alagada. Na seca (setembro a fevereiro), praias de areia branca surgem entre as águas negras e o contraste vira cenário de cartão-postal. Todas as atividades partem de Novo Airão, cidade-base do parque.
- Trilhas aquáticas de igapó: canoas e caiaques entram na floresta inundada durante a cheia. O silêncio é quebrado apenas por pássaros e pelo som da água entre os troncos.
- Flutuante dos Botos: plataforma à beira de Novo Airão onde é possível observar e interagir com botos-cor-de-rosa (Inia geoffrensis) que vivem livres no rio. Antes da interação, os visitantes assistem a uma palestra sobre a espécie.
- Praias fluviais: faixas de areia branca que aparecem na seca, com águas escuras e calmas ideais para banho. Algumas permitem acampamento com autorização do ICMBio.
- Tree climbing nos macucus: subida com técnica de rapel nas árvores gigantes da espécie Aldina heterophylla, as mais altas do arquipélago. Do topo, a vista alcança o dossel da floresta inteira.
- Focagem noturna de jacarés: passeios de barco com lanternas para avistar jacarés-açu e outras espécies que se aproximam da superfície à noite.
- Comunidades ribeirinhas: visitas ao entorno do parque para conhecer o artesanato em madeira de Novo Airão e o modo de vida das famílias que dependem do rio.
Quem sonha em conhecer a Amazônia, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Rolê Família, que conta com mais de 26 mil visualizações, onde os apresentadores mostram um roteiro incrível por Novo Airão e pelo Parque Nacional de Anavilhanas, incluindo trilhas nas Grutas do Madadá e interação com botos:
Que animais vivem no arquipélago das águas negras?
As águas ácidas do Rio Negro, escurecidas pela decomposição de matéria orgânica da floresta, criam um ecossistema singular. A acidez afasta mosquitos e sustenta uma biodiversidade rara. O parque abriga espécies ameaçadas como a onça-pintada, o peixe-boi amazônico, a ariranha e o tatu-canastra.
O boto-cor-de-rosa e o boto-cinza (tucuxi) são os animais-símbolo de Novo Airão. Ambos figuram nos mitos amazônicos e nas festas populares da cidade, como o Carnaboto e o Festival Folclórico do Peixe-Boi.
Qual a melhor época para visitar Anavilhanas?
O clima equatorial mantém temperaturas altas o ano todo. A escolha entre cheia e seca define o tipo de experiência.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar ao longo do dia, com pancadas de chuva mesmo na estação seca.
Como chegar ao coração do arquipélago?
A cidade-base é Novo Airão, a cerca de 180 km de Manaus pela AM-070, rodovia asfaltada que leva aproximadamente 3 horas de carro. Ônibus fazem o trajeto a partir do terminal rodoviário de Manaus. O Aeroporto Internacional Eduardo Gomes (MAO) recebe voos de São Paulo, Brasília e outras capitais. Dentro do parque, toda a locomoção é feita por barco, contratado em agências de Novo Airão ou nos lodges da região.
Leia também: O país com mais mamíferos do planeta: 7 destinos brasileiros para ver vida selvagem de perto
Um labirinto que vale a travessia
Anavilhanas oferece uma imersão rara na Amazônia sem precisar se afastar muito de Manaus. O arquipélago transforma o Rio Negro em um mosaico de água, areia e floresta que muda de forma a cada estação, como se a paisagem inteira respirasse junto com o rio.
Você precisa navegar por entre as ilhas, ouvir o silêncio do igapó e ver um boto-cor-de-rosa surgir das águas escuras para entender por que a UNESCO protege esse pedaço da Amazônia como patrimônio de toda a humanidade.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)