Rover da NASA flagra ‘Teia de Aranha” em vales arenosos de Marte
Após estudar a região de boxwork, o Curiosity deve avançar para camadas ricas em sulfatos no Monte Sharp.
A paisagem em forma de “teia de aranha” observada em Marte pelo rover Curiosity, da NASA, intriga cientistas por revelar cristas rochosas entrecortadas por depressões arenosas ao redor do Monte Sharp.
Essa estruturas são conhecidas como boxwork em Marte e podem guardar pistas sobre a circulação prolongada de água subterrânea e a antiga habitabilidade do planeta vermelho.
O que é o boxwork em Marte e como ele se forma
As teia de aranha em Marte são na verdade um emaranhado de cristas rochosas que delimita pequenas “caixas” na superfície.
Essas cristas medem entre 1 e 2 metros de altura e cercam áreas mais baixas cobertas por areia solta, formando um padrão geométrico visto do espaço.
A principal hipótese indica que água subterrânea circulou por fraturas nas rochas, depositando minerais que se tornaram mais resistentes à erosão do que o material ao redor.
Com o tempo, o desgaste removeu as rochas menos resistentes, deixando exposto o “esqueleto” mineral das antigas fraturas.
O que as ‘teias de aranha’ em Marte revela sobre água subterrânea e habitabilidade
À medida que o Curiosity sobe o Monte Sharp, cada altitude revela uma camada sedimentar associada a uma época distinta.
Encontrar boxwork em Marte em níveis elevados sugere que o lençol freático alcançou altitudes consideráveis, ocupando um grande volume do subsolo marciano.
Ambientes subterrâneos com água estável são considerados potenciais abrigos para microrganismos, por oferecerem proteção contra radiação e variações extremas de temperatura.
A presença de argilas e carbonatos reforça a ideia de interações prolongadas entre rocha e água, um fator relevante na avaliação da habitabilidade de Marte.
I spy with my little eye something web-shaped 🕸️
— NASA (@NASA) February 23, 2026
Our Curiosity rover has been exploring a web-like formation of ridges and sandy hollows on Mars, called boxwork. This suggests that ancient groundwater may have flowed there later than expected.https://t.co/JaWGElYsOL pic.twitter.com/7wHcX6rtwv
Quais mistérios cercam os nódulos minerais e as fraturas
Além das cristas do tipo boxwork, o Curiosity registrou nódulos irregulares do tamanho de ervilhas distribuídos pela região.
Eles seriam vestígios de minerais deixados para trás quando a água subterrânea evaporou há bilhões de anos, indicando episódios complexos de circulação de fluidos.
Uma explicação em estudo propõe múltiplos eventos de fluxo de água, com cimentação inicial das fraturas e deposição posterior de novos minerais.
Esses elementos ajudam a entender a história hidrogeológica da área:
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Como o rover Curiosity estuda as teias de aranha em Marte na prática
O Curiosity atua como um laboratório móvel, perfurando rochas e analisando amostras internamente em diferentes pontos das cristas e depressões.
A difração de raios X permite identificar minerais distintos, revelando as condições químicas da água que circulou no subsolo marciano.
Em algumas amostras, o rover aplica “química úmida”, aquecendo o material e adicionando reagentes para facilitar a detecção de compostos orgânicos.
Comparar os resultados entre áreas com boxwork e outros setores do Monte Sharp ajuda a reconstruir o ambiente químico antigo de Marte.
O que as próximas etapas da missão podem revelar sobre a água em Marte
Após estudar a região de boxwork, o Curiosity deve avançar para camadas ricas em sulfatos no Monte Sharp.
Esses minerais geralmente se formam quando a água evapora, registrando a transição de um Marte mais úmido para o deserto frio atual.
A investigação do boxwork em Marte integra o esforço de reconstruir a cronologia da água no planeta, combinando dados de superfície, análises laboratoriais e observações orbitais para entender como a água subterrânea moldou a evolução marciana ao longo de bilhões de anos.
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