Presidente do Louvre renuncia após roubo de joias históricas
Demissão de Laurence des Cars foi aceita por Macron, que citou necessidade de renovação na gestão do maior museu do mundo
A presidente do Museu do Louvre, Laurence des Cars, pediu demissão do cargo quatro meses após o roubo de joias históricas avaliadas em US$ 102 milhões – aproximadamente R$ 549 milhões.
O presidente Emmanuel Macron aceitou o pedido e classificou o gesto como “um ato de responsabilidade em um momento em que o maior museu do mundo precisa de tranquilidade e de um novo impulso forte para levar adiante grandes projetos de segurança, modernização e o projeto ‘Louvre – Nova Renascença’”.
Segundo comunicado do Palácio do Eliseu, Macron também sinalizou intenção de atribuir a Des Cars uma missão ligada à presidência francesa do G7, voltada à cooperação entre grandes museus dos países participantes do grupo. A iniciativa preserva sua atuação no setor cultural, ainda que fora da direção do Louvre.
O assalto
O crime aconteceu em 19 de outubro de 2025, cerca de meia hora depois da abertura das portas do museu ao público. Quatro homens usaram um elevador de carga e uma minisserra elétrica para acessar e retirar as peças. A ação durou sete minutos.
Entre os itens levados estavam joias que pertenceram à imperatriz Maria Luísa, esposa de Napoleão Bonaparte, além de peças de Hortênsia – enteada do imperador e rainha da Holanda – e de Maria Amélia, última rainha da França e esposa do rei Luís Felipe. O episódio colocou em xeque a reputação do Louvre como guardião de seu acervo.
Greve e pressão institucional
Em dezembro de 2025, entre os dias 15 e 18, funcionários do museu entraram em greve para cobrar melhores condições de trabalho e ampliação dos recursos destinados à segurança. A paralisação expôs tensões internas que vinham se acumulando desde o assalto.
O caso no Louvre não foi isolado. Pouco antes, pepitas de ouro sumiram do Museu de História Natural de Paris, e porcelanas chinesas foram subtraídas de uma instituição em Limoges, no centro-oeste da França. A sequência de roubos em museus franceses alimentou o debate sobre a fragilidade dos sistemas de proteção do patrimônio público no país.
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