Alckmin defende redução de jornada e Skaf pede cautela
Vice-presidente atribui tendência mundial à automação; presidente da Fiesp quer debate adiado para depois das eleições
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou nesta segunda-feira, 23, que a redução da jornada de trabalho acompanha um movimento global ligado ao avanço da automação. A declaração foi feita durante evento na sede da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), em resposta ao presidente da entidade, Paulo Skaf, que defendeu o adiamento do tema para 2027.
A ocasião coincidiu com a véspera do início da tramitação, na Câmara dos Deputados, da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que extingue a escala de trabalho 6×1 no país.
Divergência no tom, não no mérito
Skaf foi direto ao posicionar a indústria: “6×1 e redução de jornada em ano eleitoral não combina, a gente precisa que essa discussão vá para 2027”. Para ele, períodos eleitorais embaralham motivações legítimas com interesses político-partidários, o que comprometeria a qualidade do debate.
Alckmin não recusou o argumento, mas adotou perspectiva distinta. Segundo o vice-presidente, que também ocupa o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), a automação avança em todos os setores, ainda que com ritmos distintos, e isso tende a pressionar pela redução das horas trabalhadas. Ele admitiu, porém, que o debate “não deve fazer correria” e precisa ser aprofundado.
Tarifas, juros e comércio exterior
A agenda do encontro incluía outros temas. Representantes da indústria manifestaram preocupação com uma investigação aberta pelo governo dos Estados Unidos contra o Brasil com base na Seção 301, norma americana que apura práticas comerciais consideradas desleais. A medida permanece em curso mesmo após a Suprema Corte americana derrubar as tarifas impostas pelo presidente Donald Trump.
Alckmin disse que um dos argumentos usados para justificar a investigação – o desmatamento – perdeu força: “O argumento é o desmatamento. Caiu 50%”. O vice-presidente informou também que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve se reunir com Trump, ocasião em que a questão tarifária estará na pauta.
No campo monetário, Alckmin sinalizou que a taxa Selic deve ser reduzida na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária). Ele defendeu que itens com preços sujeitos a fatores externos, como clima e geopolítica, sejam excluídos do índice de inflação usado como referência para a política de juros, seguindo modelo adotado pelo Federal Reserve, banco central americano. “Não adianta aumentar juros que não vai fazer chover”, disse.
Por fim, o vice-presidente anunciou que Lula deve regulamentar, nas próximas semanas, as salvaguardas previstas no acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia – mecanismos de proteção acionados em casos de pico de importação de determinados produtos.
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Comentários (1)
Marian
23.02.2026 23:58As empresas estão fugindo daqui, não estão aguentando a carga tributária e outras seguirão o mesmo caminho, após a implantação da escala. Ladeira abaixo.