Trump reúne aliados da AL na Flórida – sem Lula na lista
Encontro em Doral, marcado para 7 de março, terá Milei e Bukele; reunião bilateral com o presidente brasileiro segue sem data definida
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reunirá no dia 7 de março 13 chefes de Estado da América Latina no Trump National Doral, resort de propriedade do republicano, em Doral, cidade próxima a Miami. Segundo apuração da Folha, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva não está entre os convidados.
O critério de seleção é político. Trump reunirá presidentes alinhados à sua agenda, entre eles o argentino Javier Milei e o salvadorenho Nayib Bukele. A escolha de Doral também carrega simbolismo: a cidade, conhecida como “Doralzuela” pela alta concentração de imigrantes venezuelanos, votou pelo retorno de Trump à Casa Branca em 2024.
Brasil fora do evento, mas não da agenda
A ausência do Brasil no encontro coletivo não encerra o diálogo entre Brasília e Washington. Um encontro bilateral entre Lula e Trump ainda está previsto para março, embora sem data marcada. O governo brasileiro tem trabalhado para construir uma pauta que interesse ao lado americano.
Em dezembro de 2024, Lula encaminhou ao Departamento de Estado uma proposta de cooperação no combate ao crime organizado. O documento propõe parceria no enfrentamento à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas, além do congelamento de ativos de grupos criminosos e do intercâmbio de dados sobre movimentações financeiras.
O tema foi retomado em ligação entre os dois presidentes e reiterado por Lula durante visita à Índia, na última semana. A delegação brasileira prevista para o encontro inclui o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, e representantes da Receita Federal e da Polícia Federal.
Em declaração recente, Lula sintetizou a postura do governo: “Qualquer coisa que puder colocar uns magnatas da corrupção na cadeia, nós estamos dispostos a trabalhar. E esses magnatas não moram na favela, não moram no térreo, eles moram em cobertura, moram nos bairros mais chiques do Brasil e nos bairros mais chiques dos EUA”.
Tarifas e Seção 301 pautam relação comercial
O pano de fundo econômico também pesa na agenda bilateral. Na sexta-feira, 20, a Suprema Corte americana derrubou o tarifaço de Trump, que logo em seguida anunciou uma tarifa global de 15%. O vice-presidente Geraldo Alckmin avaliou a medida como favorável ao Brasil.
“Foi uma medida positiva, eu acho que reforça o encontro do presidente Lula com o presidente Trump agora em março”, disse Alckmin, em evento em Aparecida (SP), no último domingo, 22.
A avaliação do vice-presidente, contudo, convive com uma preocupação específica: o Brasil está na mira da Seção 301, mecanismo que permite ao governo americano impor tarifas a países investigados por práticas comerciais consideradas ilegais. O Brasil é alvo desse procedimento desde o ano passado, e o sistema de pagamentos instantâneos Pix figura entre os pontos sob análise.
Alckmin minimizou o risco e disse que a questão será esclarecida junto ao governo americano. “O Pix é um exemplo para o mundo de uma medida altamente benéfica para a população, sem custo, com garantia e segurança. Outras questões abordadas também serão esclarecidas. Isso já aconteceu no passado, e o Brasil prestou os devidos esclarecimentos”, afirmou o vice-presidente.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (1)
Marian
23.02.2026 20:47Sim, se reuniu com aliados.