“Não contem comigo”, diz Girão sobre acordão para blindar STF e Congresso
Integrantes da cúpula do Congresso buscam acordo para tentar trocar a derrubada de veto pelo fim das pressões por CPMI do Master
O senador Eduardo Girão (Novo-CE) criticou nesta segunda-feira, 23, a busca por integrantes da cúpula da Câmara e do Senado por um acordo com a base bolsonarista no Congresso para tentar trocar a derrubada do veto ao PL da Dosimetria pelo fim das pressões pela criação da CPMI do Banco Master. O parlamentar ressaltou que não vai participar de um eventual acordo nesse sentido.
Girão se manifestou pelo X. “Se fala na mídia de um eventual acordão entre os presidentes das Casas Legislativas para se votar a dosimetria em troca de ‘menos pressão’ sobre a instalação da CPMI do escândalo Master! Não contem comigo, pois para mim os fins jamais justificarão os meios!“, iniciou o senador.
“Tomarei todas as medidas cabíveis para que Alcolumbre instale nesta semana a CPI ou CPMI do Master, que ele posterga há quase 3 meses! Também não medirei esforços e cobrança pela imediata abertura do impeachment de [Dias] Toffoli e [Alexandre de] Moraes. Só assim conseguiremos resgatar a ética em nosso País, o necessário reequilíbrio entre os Poderes – pela volta da democracia ao Brasil – e razão de ser do próprio Senado Federal”.
Ele prosseguiu: “Informo que acabo de encaminhar requerimento à principal comissão da Casa Revisora da República, a de Constituição e Justiça – CCJ , para chamar o ministro Edson Fachin, presidente do 5TF, para que compareça ao Senado a fim de prestar esclarecimentos sobre os fundamentos que justificaram a redistribuição da relatoria de procedimento anteriormente conduzido pelo ministro Dias Toffoli, no caso Banco Master”.
Girão diz que questiona a ausência de declaração formal do impedimento ou suspeição de Toffoli, que, segundo ele, seria necessária nesse contexto. Questiona ainda os motivos da reunião reservada realizada entre os ministros do Supremo para tratar do relatório da Polícia Federal que aponta a existência de mensagens, ligações e até um convite de Toffoli a Daniel Vorcaro, dono do Master.
“O Brasil precisa saber o que de fato aconteceu, para que não haja blindagem a ninguém e para que toda a verdade seja conhecida”, conclui Girão.
Há hoje três pedidos de investigação em curso no Congresso que miram a instituição bancária de Daniel Vorcaro – uma CPI na Câmara; outra no Senado e uma CPMI. Destas, apenas a CPMI tem chances de sair do papel. Isso porque, conforme o regimento interno do Congresso, a leitura do requerimento de instalação de investigação mista é obrigatório.
Apesar disso, Davi Alcolumbre (União-AP) tenta convencer integrantes do bolsonarismo a não fazer pressões na próxima sessão do Congresso justamente para evitar a leitura do pedido de investigação. Assim, ele poderia destinar a próxima sessão do Congresso apenas para discutir a derrubada do veto do PL da Dosimetria.
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