PL quer palanque em todos os estados para Flávio em 2026
Partido orienta lideranças estaduais a garantir candidatos próprios nas disputas majoritárias, como estratégia para a campanha presidencial
O Partido Liberal traçou uma diretriz nacional para as eleições de 2026: estar presente nas chapas majoritárias de todos os estados brasileiros, seja com candidatos ao governo ou ao Senado. O objetivo é assegurar palanques ativos para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato da legenda à Presidência da República.
Segundo reportagem da Folha, a divisão de tarefas está definida. Jair Bolsonaro (PL), que cumpre pena na Papuda, é o responsável por indicar os nomes para as vagas ao Senado. Valdemar Costa Neto, presidente do partido, ficará com a tarefa de definir os candidatos aos governos estaduais. A montagem dos palanques é tratada como prioridade pela cúpula da legenda.
Acordos firmados e negociações em aberto
Dois estados já têm palanque definido. Em Santa Catarina, o ex-presidente escolheu Carlos Bolsonaro (PL) e Caroline de Toni (PL) para disputar as vagas ao Senado. Em Goiás, o deputado Gustavo Gayer (PL) foi o nome escolhido para uma das cadeiras, enquanto a segunda vaga ficará reservada a uma indicação do governador Ronaldo Caiado (PSD), pré-candidato à Presidência – movimento que visa garantir o apoio do goiano a Flávio, ao menos no segundo turno.
Em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, o PL ainda tenta encontrar espaço numa chapa já disputada. O partido apoiará a reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que já tem compromisso de lançar ao Senado o deputado Guilherme Derrite (PP). O PL testa nomes para uma segunda vaga e disputa ainda a posição de vice-governador, hoje ocupada por um representante do PSD. A entrada do deputado Ricardo Salles (Novo) na corrida pelo Senado tornou o ambiente ainda mais congestionado.
Em Minas Gerais, o quadro permanece indefinido. O vice-governador Matheus Simões (PSD) pretende concorrer ao governo, e o senador Cleitinho (Republicanos-MG) busca se firmar como o candidato apoiado por Bolsonaro no estado. Flávio chegou a cogitar lançar o deputado Nikolas Ferreira (PL) ao governo mineiro, mas o próprio parlamentar descartou a possibilidade.
Estratégia nacional e limites das alianças
A lógica por trás da movimentação é eleitoral e objetiva. Mesmo em estados onde o PL não encabeçar a chapa ao governo, a orientação é ter ao menos um candidato ao Senado em campo para divulgar o número 22, que será utilizado por Flávio na disputa presidencial. Em estados com governos de esquerda, o partido também quer evitar que aliados omitam a ligação com o senador por receio de desgaste local.
Para estrategistas da legenda, um candidato a governador capaz de transferir votos a Flávio – mesmo que seja de outra sigla – vale mais do que um nome próprio sem expressão. Candidatos a deputado federal com forte votação também entram no cálculo como forma de compensar a ausência de um candidato próprio nas disputas majoritárias.
O PL trabalha ainda para ampliar a base de aliados. Uma aproximação com a federação União Progressista, formada por PP e União Brasil, já estaria em andamento em alguns estados, incluindo o Rio de Janeiro. A incorporação do Republicanos à coligação nacional também está no horizonte, embora pendente de ajustes em locais onde os interesses das legendas se chocam.
A avaliação interna é que o partido chegará a 2026 com mais candidatos ao Executivo estadual do que nas últimas eleições, quando lançou nomes em 12 estados e elegeu dois – em Santa Catarina e no Rio de Janeiro.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)