“O Brasil agiu de forma impecável”, diz Haddad sobre tarifaço de Trump
Decisão por 6 a 3 beneficia países que foram taxados pelo governo americano; Brasil avalia impacto sobre exportações
“O Brasil, em todos os momentos, se comportou diplomaticamente da maneira mais correta. Acreditou no diálogo, na disputa pelos canais competentes tanto na OMC quanto no Judiciário americano, estabelecendo uma conversa direta para falar de temas relevantes”, disse o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, depois que a decisão da Suprema Corte dos EUA suspendeu a aplicação o “tarifaço” de Donald Trump.
“O Brasil, do ponto de vista de sua relação bilateral, agiu de forma impecável. Dito isso, o efeito imediato é evidentemente favorável aos países”, continuou Haddad, que acompanha o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em viagem à Índia.
Trump esperneia
Conforme noticiado em O Antagonista nesta sexta-feira, 20, a Suprema Corte dos Estados Unidos declarou ilegal o tarifaço imposto pelo governo Trump aos parceiros comerciais.
A decisão, por seis votos a três, proíbe o republicano de criar tarifas por conta própria com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês).
Trump, como era de se esperar, não reagiu bem.
Em entrevista coletiva, o presidente americano disse que a decisão é “profundamente decepcionante” e atacou a Suprema Corte.
“A decisão da Suprema Corte sobre as tarifas é profundamente decepcionante. E eu tenho vergonha de certos membros da corte, absolutamente vergonha por não terem a coragem de fazer o que é certo para o nosso país”, afirmou o republicano.
Freios e contrapesos
O cientista político Enrique Natalino afirma que o entendimento restabelece a separação de Poderes, já que é prerrogativa do Congresso americano aprovar as taxas:
“Vai na defesa do princípio de separação de Poderes. O que está em jogo não é apenas a revogação das tarifas e o seu mérito em si, mas a prerrogativa do presidente dos EUA de se imiscuir em uma competência que é do Congresso dos Estados Unidos. O julgamento coloca as coisas no lugar e restabelece a separação dos Poderes”.
Para Natalino, o novo entendimento pode afetar a popularidade de Trump:
“Mexe com sua política econômica, comercial, na política externa e sem dúvidas será bastante impactante nas negociações internacionais. Vai gerar impactos na política interna”.
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