A primeira capital do Brasil: quase 500 anos de história viva entre igrejas douradas e praias de água morna que encanta os brasileiros
A verdadeira primeira capital do Brasil
Capital do Brasil por 214 anos, Salvador mistura igrejas barrocas recobertas em ouro, praias de água morna e o maior conjunto colonial da América Latina na costa da Bahia.
Como o açúcar e o dendê moldaram a capital baiana
Salvador nasceu sobre uma escarpa com vista para a Baía de Todos os Santos por ordem do rei Dom João III. A posição estratégica facilitava o comércio com a África e o Oriente, e a cidade rapidamente se tornou o centro administrativo da colônia portuguesa. A riqueza da lavoura açucareira financiou, a partir do século XVII, as igrejas e solares barrocos que ainda definem a paisagem do centro histórico.
A divisão entre Cidade Alta e Cidade Baixa reflete a própria falha geológica que corta Salvador. Na parte alta, o poder político e religioso ergueu catedrais e praças; na parte baixa, o porto recebia africanos escravizados que trouxeram consigo o candomblé, a capoeira e os ingredientes que transformaram a culinária local. Essa sobreposição de culturas fez de Salvador a cidade brasileira com maior herança afrodescendente. Em 1984, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) tombou 80 hectares do centro histórico, abrindo caminho para o reconhecimento internacional pela UNESCO no ano seguinte.

O que percorrer entre o Pelourinho e a Baía de Todos os Santos
A capital baiana oferece atrações que vão de igrejas recobertas por 800 kg de ouro a praias urbanas com pôr do sol sobre o Atlântico. O centro histórico concentra a maioria dos monumentos, mas vale reservar ao menos um dia para a orla e outro para as ilhas da baía.
- Pelourinho: o coração colonial de Salvador reúne mais de 800 casarões dos séculos XVII e XVIII em ruas de paralelepípedo. As fachadas coloridas abrigam museus, restaurantes e lojas de artesanato. Às terças-feiras, o som do Olodum ecoa pelo largo e transforma as ladeiras em palco a céu aberto.
- Igreja e Convento de São Francisco: considerada a obra barroca mais rica do Brasil, tem o interior revestido em talha dourada do piso ao teto. A luz que entra pelas janelas laterais faz o ouro brilhar em tons que mudam conforme a hora do dia.
- Elevador Lacerda: inaugurado em 1873, liga a Cidade Alta à Cidade Baixa em 30 segundos. Do alto dos seus 72 metros, a vista se abre para o Mercado Modelo, o porto e a Baía de Todos os Santos.
- Farol da Barra e Forte de Santo Antônio: cartão-postal de Salvador, o forte do século XVII abriga o Museu Náutico da Bahia. Por estar em um dos poucos pontos do litoral brasileiro voltados para o oeste, o pôr do sol aqui acontece sobre o mar.
- Basílica do Senhor do Bonfim: a fachada coberta de fitinhas coloridas resume o sincretismo religioso baiano. Cada fita recebe três nós que representam três pedidos. A tradicional Lavagem do Bonfim, na segunda quinta-feira de janeiro, atrai milhares de fiéis e foliões em uma procissão de 8 km.
- Dique do Tororó: lagoa urbana onde oito esculturas de orixás assinadas pelo artista Tatti Moreno flutuam sobre a água. Instaladas em 1998, as peças representam Oxum, Ogum, Oxóssi, Xangô, Oxalá, Iemanjá, Nanã e Iansã.
- Ilha dos Frades: acessível por escuna a partir do Terminal Náutico, a ilha tem praias de águas calmas e transparentes que contrastam com o ritmo da capital. O passeio de um dia combina paradas para banho e almoço com frutos do mar.
Quem busca dicas da capital baiana, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Partiu de Férias, que conta com mais de 75 mil inscritos, onde o apresentador mostra 12 motivos essenciais para visitar Salvador:
Os sabores que nasceram entre terreiros e tabuleiros
A cozinha de Salvador é resultado direto do encontro entre ingredientes indígenas, técnicas portuguesas e temperos trazidos da África Ocidental. O azeite de dendê, o leite de coco e o feijão-fradinho formam a base de pratos que atravessaram séculos sem perder identidade. Boa parte dessas receitas tem origem nos rituais do candomblé e migrou dos terreiros para as ruas e restaurantes.
- Acarajé: bolinho de feijão-fradinho frito em azeite de dendê, recheado com vatapá, caruru, camarão seco e pimenta. O ofício de baiana de acarajé foi reconhecido pelo IPHAN em 2005 como patrimônio cultural imaterial do Brasil. Originalmente, o acarajé é uma oferenda ritual dedicada à orixá Iansã.
- Moqueca baiana: ensopado de peixe ou camarão preparado em panela de barro com leite de coco, tomate, pimentão, cebola, coentro e dendê. A versão baiana se diferencia da capixaba justamente pelo uso do dendê, que confere cor alaranjada e sabor marcante.
- Bobó de camarão: creme espesso de mandioca com camarões, leite de coco e dendê. A receita descende do bobó africano e ganhou a mandioca dos indígenas tupinambás.
- Caruru: refogado de quiabo com camarões secos, dendê, amendoim e castanha de caju. É prato obrigatório nas festas de Cosme e Damião, quando sete crianças são servidas antes dos adultos, seguindo a tradição do candomblé.
- Cocada: doce de coco ralado com açúcar que varia entre a versão branca (mais úmida) e a preta (caramelizada). As baianas vendem os dois tipos em tabuleiros de palha espalhados pelo Pelourinho e pelas praias.
Quando o sol e as festas se encontram na capital
Salvador tem temperatura estável entre 24 °C e 30 °C o ano inteiro. O que muda são as chuvas: o período mais seco (setembro a março) coincide com as maiores festas populares da cidade.
Dados estimativos baseados no Climatempo. As condições climáticas podem variar e devem ser verificadas antes da viagem.
Como chegar e circular pela cidade
Salvador conta com aeroporto internacional e boa conexão rodoviária com o interior da Bahia e outros estados do Nordeste. Dentro da cidade, a combinação de metrô, aplicativos de transporte e caminhada funciona bem para cobrir as principais regiões turísticas.
- De avião: o Aeroporto Internacional Deputado Luís Eduardo Magalhães (SSA) fica a 27 km do Pelourinho e recebe voos diretos das principais capitais brasileiras, além de rotas internacionais para Lisboa e Madri. O trajeto até o centro leva de 30 a 50 minutos por aplicativo.
- De carro: o acesso principal vindo do sul do país é pela BR-101; de Brasília e do interior, pela BR-242 e BR-324. O trânsito urbano é intenso, mas o carro facilita passeios ao Litoral Norte (Praia do Forte, Imbassaí).
- De ônibus: a Rodoviária de Salvador recebe linhas de todo o Brasil. De Lençóis (Chapada Diamantina), o trajeto dura cerca de 6 horas pela Real Expresso.
- Transporte interno: a linha de metrô conecta o aeroporto a bairros como Barra e Lapa. Para o centro histórico, o Elevador Lacerda faz a ligação entre as duas partes da cidade por R$ 0,15.

Conheça a capital que nunca para de dançar
Salvador é uma cidade que se entende melhor com os sentidos do que com mapas. O cheiro do dendê fervendo no tabuleiro de uma baiana, o grave dos atabaques ecoando pelas ladeiras do Pelourinho, a brisa morna que sopra da Baía de Todos os Santos ao entardecer. Tudo ali conta a história de uma cidade que soube transformar dor em cultura e cultura em festa.
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