Ilustrações perdidas de “O Livro da Selva”” reaparecem após um século
Produzidas pelos irmãos gêmeos Edward e Charles Maurice Detmold, elas estavam discretamente penduradas em uma casa em Londres
Uma descoberta no mercado de arte trouxe de volta à atenção pública duas aquarelas originais ligadas a The Jungle Book (O Livro da Selva), de Rudyard Kipling, desaparecidas há mais de um século.
Produzidas pelos irmãos gêmeos Edward e Charles Maurice Detmold, elas estavam discretamente penduradas em uma casa em Londres, sem que a família soubesse de sua relevância histórica.
Qual é a origem e a raridade dessas ilustrações de O Livro da Selva?
As aquarelas pertencem ao portfólio de luxo Sixteen Illustrations of Subjects from Kipling’s “O Livro da Selva”, publicado pela Macmillan & Co. em 1903, com tiragem de apenas 500 exemplares.
O conjunto original tinha 16 pranchas; com a redescoberta, apenas seis aquarelas são hoje conhecidas, distribuídas entre coleções privadas e instituições britânicas.
Cada prancha era impressa em formato grande e frequentemente retirada das pastas para ser emoldurada, o que explica a dispersão do conjunto. Uma cópia completa do portfólio é preservada na Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos e serve como referência para a identificação dos originais.

Como essas aquarelas foram identificadas em uma casa de família?
Segundo a casa de leilões londrina Roseberys, as obras estavam há décadas na mesma família, usadas apenas como decoração. Os proprietários nunca as trataram como peças de grande valor, até solicitarem uma avaliação profissional.
Especialistas cruzaram estilo, documentação histórica e procedência para associar as imagens ao portfólio de 1903. Ao identificar a autoria dos gêmeos Detmold e comparar com registros museológicos, confirmaram que se tratava de originais desaparecidos do conjunto de 16 ilustrações.
Por que essas ilustrações de O Livro da Selva são tão valorizadas no mercado?
Leiloeiros e historiadores destacam a combinação de raridade, autoria reconhecida e vínculo com uma obra literária consagrada. As cenas de Mowgli com Bagheera e de Cold Lairs foram elogiadas pela imprensa da época e ajudaram a fixar o imaginário visual de O Livro da Selva.
Alguns fatores pesam diretamente na valorização dessas aquarelas em leilão:
- Raridade material, com poucos originais sobreviventes.
- Procedência rastreável e bem documentada.
- Conexão com um clássico adaptado para cinema e outras mídias.
- Primeira aparição dessas obras específicas no mercado.

Como essas imagens se inserem na história editorial de O Livro da Selva?
As aquarelas de Detmold integram um processo mais amplo de visualização da obra de Kipling, iniciado ainda com ilustrações de John Lockwood Kipling em revistas e primeiras edições.
O portfólio de luxo de 1903 reforçou o status dessas cenas como peças artísticas autônomas, não apenas complementos gráficos. Em 1908, a Macmillan lançou uma edição padrão de O Livro da Selva incorporando as 16 pranchas e um frontispício.
Muitas estampas, porém, foram removidas dos volumes para emolduramento, fragmentando o conjunto e contribuindo para o desaparecimento de parte dos originais.
Quais são os destaques artísticos e o impacto dessa redescoberta?
As ilustrações se distinguem pelo detalhamento da fauna e da vegetação, unindo observação naturalista a composição decorativa próxima da art nouveau.
A interação entre Mowgli, os animais e a selva reforça o clima de mistério e de tensão presente no texto de Kipling. A volta dessas imagens ao debate público permite revisitar a carreira dos irmãos Detmold e a história da ilustração britânica do início do século XX.
Também sugere que outros originais ainda possam estar esquecidos em acervos particulares, incentivando novas pesquisas e a documentação cuidadosa de obras antigas.
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