Ex-marqueteiro do PT critica desfile com Lula e Janja na Sapucaí
Estrategista que comandou campanhas vitoriosas do partido alerta para riscos políticos da exposição no carnaval carioca
João Santana, responsável por campanhas presidenciais vitoriosas do PT, criticou a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, de participarem do desfile da Acadêmicos de Niterói. A escola apresentará no domingo um enredo sobre a trajetória do petista, intitulado “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”.
Em pronunciamento nas redes sociais, Santana alertou para possíveis consequências negativas da iniciativa: “Antes de tudo, carnaval se presta mais para demolição do que para construção de imagem de político. Acidez crítica, liberação, irreverência são seus principais temperos”, afirmou o marqueteiro.
O profissional, que conduziu Lula à recuperação de popularidade após a crise do Mensalão e elegeu Dilma Rousseff duas vezes, argumentou que grandes espetáculos tendem à catarse coletiva: “O destino dos grandes espetáculos é o da catarse coletiva, seja ela de glorificação ou de rebeldia. Só vira um culto individual quando controlados à mão de ferro por autocratas. Do contrário, o tiro sai pela culatra”, disse.
Governo tenta blindagem jurídica
A três dias do evento, o Palácio do Planalto vetou a presença de ministros na Marquês de Sapucaí. Janja decidiu desfilar no último carro alegórico, enquanto Lula acompanhará a apresentação do camarote da Prefeitura do Rio, ao lado do prefeito Eduardo Paes.
A Advocacia-Geral da União elaborou diretrizes de conduta para integrantes do governo. As orientações incluem pagamento de viagens com recursos próprios, proibição de uso de aeronaves da Força Aérea Brasileira e veto à transmissão do desfile em canais institucionais.
Na quinta-feira, o plenário do Tribunal Superior Eleitoral rejeitou pedidos dos partidos Novo e Missão que buscavam impedir o desfile. Os ministros consideraram que a proibição configuraria censura, mas identificaram indícios de possíveis ilícitos eleitorais. A liminar foi negada, porém o caso permanece sob análise da Corte.
Impacto eleitoral em debate
Santana destacou preocupações com a repercussão em regiões onde o petista necessita ampliar votação, como interior paulista, Sudeste e Sul. O estrategista questionou também os efeitos no Nordeste e entre evangélicos.
O profissional avaliou que a decisão sobre a participação de Janja priorizou análise jurídica em detrimento de avaliação estratégica e comunicacional: “No caso da escola de Niterói, pode se dizer, como atenuante, que foi iniciativa espontânea. Mas, deixou de ser quando o presidente e a primeira-dama se aproximaram perigosamente do evento”, declarou.
Parte do governo manifesta preocupação com possível repercussão negativa, especialmente quanto ao risco de vaias que poderiam ser exploradas por adversários nas redes sociais. Outro segmento defende que a presença do presidente em festividades populares o aproxima da população.
Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do Grupo Prerrogativas, que acompanhará a primeira-dama no desfile, defendeu a participação: “Não há impedimento de nenhuma natureza para que a primeira dama possa desfilar, cabe a ela a escolha de ir ou não ao sambódromo”, afirmou.
Lula embarca nesta sexta-feira para roteiro carnavalesco que inclui Galo da Madrugada, no Recife, trios elétricos em Salvador no sábado e encerra no domingo no Rio.
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Comentários (1)
Maglu Oliveira
14.02.2026 11:18Nem Lula nem Janja estão preocupados com o que vão dizer, eles sabem que será sua última grande aparição antes de perderem a eleição. Lula, o nordestino machão, agora embaixo da pantufa da oportunista (como ele), faz o que a mulher manda. E ela, sabendo que não é a primeira-dama mais amada do Brasil, entrou naquela de "tou kag... e andando pra opinião pública, o que eu quero é me divertir enquanto tenho tempo, fama, dinheiro e ainda estou no poder. Deixa que digam, que pensem, que falem..."