Superar a polarização para recolocar o Brasil no século XXI
Enquanto países investem pesadamente em educação permanente e avançada, inovação tecnológica e produtividade, seguimos presos a narrativas do passado
Por Roberto Freire*
O Brasil entra em mais um processo eleitoral sob o domínio de uma polarização tóxica que empobrece o debate público e reduz o horizonte estratégico do país.
A disputa entre lulopetistas e bolsonaristas transformou divergências políticas em identidades fechadas e antagonismos permanentes, em que um do lados, o de Lula, irresponsavelmente fala que será uma guerra.
Esse modelo de confronto contínuo pode mobilizar emoções, mas bloqueia soluções.
Dois populismos
Trata-se de uma polarização entre dois populismos, um à esquerda, outro à direita, que, apesar das diferenças ideológicas, compartilham métodos e ações semelhantes e pouco afeitas ao pluralismo democrático com o velho cacoete de usar da simplificação e promessas fáceis para problemas complexos e difíceis.
Nenhum deles oferece uma resposta adequada às grandes transformações em curso no mundo: revolução digital, inteligência artificial, nova economia produtiva, transição energética e uma política externa de construção de uma comunidade sul-americana e que mundialmente busque a cooperação entre países de médio poder, para criar uma nova arquitetura global mais estável e justa.
Enquanto países investem pesadamente em educação permanente e avançada, inovação tecnológica e produtividade, seguimos presos a narrativas do passado.
Parte da esquerda ainda opera com reflexos estatizantes e resistência à modernização econômica. Parte da direita se perde em guerras culturais e soluções de impacto retórico, mas baixo efeito estrutural. O resultado é atraso relativo e perda de competitividade.
Uma alternativa
Há décadas, o campo democrático reformista onde se situa o Cidadania (antes PPS) procura construir uma alternativa que una pensamento liberal e social-democrata: economia de mercado com forte compromisso social, responsabilidade fiscal com políticas públicas eficazes, liberdade com igualdade de oportunidades. Uma síntese moderna, pluralista e reformista, capaz de combinar crescimento, inovação e proteção social baseada em resultados.
Essa tradição entende que justiça social sem liberdade gera autoritarismo, e liberdade sem inclusão gera privilégio.
O mundo contemporâneo exige Estado eficiente, regulação inteligente, ambiente favorável ao empreendedorismo inovador e políticas sociais avaliadas com seriedade e sem demagogia.
No mundo da economia digital e da IA, o atraso não é apenas econômico — é civilizacional. Sem romper a polarização, o Brasil continuará preso ao passado.
A eleição deveria ser uma escolha de projeto nacional, não um plebiscito de rejeições mútuas.
Menos culto a lideranças, mais compromisso com instituições. Menos populismo, mais reforma.
Não precisamos escolher entre dois polos de atraso. Precisamos abrir um novo caminho de futuro.
*Roberto Freire tem mais de 44 anos de parlamento, como deputado estadual, federal e senador. Foi deputado constituinte em 1988, candidato a presidente em 1989 e ministro da Cultura de 2016 a 2017.
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Comentários (2)
Marian
12.02.2026 14:20Quando eles são maioria, aí nós discutimos a polarização, não é?
Rosa
12.02.2026 10:24Mas como ? Se só nos é servido pelos donos de partido esta gente que está aí?