EUA querem parceria com Brasil por minerais críticos
Washington oferece financiamento de US$ 565 milhões para projeto de terras raras em Goiás, e propõe acordo que inclua processamento e refino
“Os EUA consideram o Brasil parceiro estratégico na construção de cadeias de suprimentos críticas, resilientes e seguras”, afirmou nesta quarta-feira, 11, por Caleb Orr, secretário de Estado adjunto americano para Assuntos Econômicos, Energéticos e Empresariais.
Os Estados Unidos querem firmar um acordo comercial com o Brasil que tenha como eixo o fornecimento de “minerais críticos”.
O governo americano já sinalizou interesse em financiar o projeto Serra Verde, em Goiás, voltado à extração de terras raras. A Corporação Financeira para o Desenvolvimento Internacional dos EUA prevê aporte de US$ 565 milhões na iniciativa. Outro empreendimento citado pelo secretário adjunto foi o Clara, também localizado no estado.
Segundo Orr, o Brasil possui reservas expressivas de terras raras e se apresenta como alternativa viável para a diversificação das cadeias de abastecimento. A intenção de Washington é ampliar a cooperação para além da extração mineral, incluindo as fases de processamento e refino – etapas que hoje apresentam concentração global ainda maior do que a própria mineração.
“A proposta é que o refino e o processamento ocorram em locais economicamente viáveis, dentro de uma lógica de diversificação”, disse o secretário adjunto.
Negociação ocorre em meio a disputa tarifária
As tratativas acontecem em paralelo às discussões sobre a revisão do pacote de tarifas comerciais, anunciado pelo governo de Donald Trump. O presidente americano já indicou que as negociações para rever as taxas envolvem entendimento sobre minerais críticos e terras raras.
Questionado sobre possíveis contrapartidas exigidas do Brasil, Orr afirmou que o objetivo é alcançar um acordo comercial sólido. Ele evitou antecipar resultados para o encontro previsto entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump no próximo mês, em Washington.
O secretário elogiou a participação brasileira na reunião ministerial sobre minerais críticos realizada na semana passada, em Washington. O encontro foi organizado pelo secretário de Estado, Marco Rubio, e reuniu delegações de 54 países, além da União Europeia.
Iniciativa envolve US$ 30 bilhões em investimentos
A estratégia americana para minerais estratégicos inclui a iniciativa Forge, sigla em inglês para Fórum de Engajamento Geoestratégico em Recursos. O programa prevê projetos estimados em US$ 30 bilhões destinados a reforçar a segurança das cadeias de suprimento.
Orr destacou que as Américas estão no centro da segurança das cadeias globais, especialmente no fornecimento de lítio, cobre e terras raras. Além do Brasil, participaram da reunião ministerial Argentina, Bolívia, Canadá, República Dominicana, Equador, México, Paraguai e Peru.
Os EUA assinaram acordos-quadro com Argentina, Paraguai, Equador e Peru. Segundo o secretário adjunto, as parcerias buscam criar empregos e atrair investimentos em infraestrutura, oferecendo alternativas a fornecedores considerados não confiáveis. Ele garantiu que a iniciativa não representa retaliação à China.
Brasil quer agregar valor à produção
Os minerais críticos são insumos estratégicos para a economia e a segurança nacional. Estão presentes em cadeias produtivas de baterias para veículos elétricos, turbinas eólicas, painéis solares, equipamentos eletrônicos e sistemas de defesa. Também são necessários para a infraestrutura de inteligência artificial e eletrificação.
O processamento e refino desses minerais representam etapas sensíveis porque a oferta global é mais concentrada do que a mineração. Isso amplia riscos de dependência externa e interrupções no abastecimento.
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