Janeiro traz inflação maior e novo desafio a Milei
Preços voltam a subir na Argentina e colocam governo Milei sob pressão social, com alimentos e tarifas pesando no orçamento das famílias
A inflação voltou a subir na Argentina em janeiro e recolocou o governo de Javier Milei diante do principal teste de sua política econômica.
O índice oficial marcou 2,9% no mês, acima de dezembro, segundo dados divulgados pelo Indec, o Instituto Nacional de Estatística e Censos da Argentina, equivalente ao nosso IBGE.
O resultado também trouxe de volta a disputa política sobre a credibilidade dos números. Economistas próximos aos oposicionistas kirchneristas afirmam que mudanças metodológicas e a forte queda do consumo poderia estar mascarando o real custo de vida.
O governo rejeita a crítica e diz que a inflação acumulada em 12 meses estaria em trajetória de queda de longo prazo – ainda que tenha subido nas últimas medições – um ponto central do programa de estabilização que começou com forte ajuste fiscal, corte de subsídios e liberação de preços.
Javier Milei assumiu com inflação anual acima de 200% e um déficit elevado, quadro herdado da gestão anterior, do kirchnerista Alberto Fernández.
Desde então, sua estratégia foi reduzir gastos públicos rapidamente e tentar ancorar expectativas por meio de disciplina fiscal e controle da emissão monetária.
O peso passou por uma forte desvalorização inicial, seguida de relativa estabilidade cambial, enquanto salários reais perderam poder de compra.
O novo avanço mensal foi puxado por alimentos, serviços e transporte, categorias sensíveis para o orçamento doméstico.
O comportamento reforça um fenômeno observado desde meados do ano passado. Mesmo com a retração da atividade econômica, os preços seguem subindo em ritmo elevado para padrões internacionais, o que mantém a pressão social e política.
Ao mesmo tempo, alguns indicadores caminham na direção desejada pelo governo. O superávit primário reapareceu e a base monetária cresce mais devagar, fatores considerados essenciais para quebrar a dinâmica inflacionária.
A aposta de Milei é que a inflação mensal caia gradualmente ao longo de 2026, ainda que a população ainda enfrente meses difíceis.
O problema é o tempo. A desaceleração precisa ser percebida no cotidiano para sustentar apoio político, pois inflação menor no papel não basta quando tarifas, aluguel e os preços nos supermercados continuam consumindo uma parte crescente da renda familiar já achatada dos argentinos.
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